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A contagem de hidratos de carbono

É possível saber que quantidade de hidratos de carbono estamos a ingerir numa refeição, consultando tabelas disponíveis. Mas como se faz? É simples? Devo contar hidratos de carbono? Hoje vamos explicar tudo o que há a saber sobre esta técnica.

Os hidratos de carbono, também conhecidos como açúcares, são nutrientes presentes em vários alimentos do nosso dia a dia. Para controlar a glicemia, uma pessoa com diabetes deve fazer a medicação prescrita e controlar a sua alimentação, sobretudo, no que diz respeito à quantidade de hidratos de carbono e gorduras. É possível saber de forma exata qual a quantidade de hidratos de carbono que estamos a ingerir, graças a tabelas predefinidas. Além disso, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) divulgou em outubro de 2020 uma tabela de contagem de hidratos de carbono atualizada.

Para que serve a contagem de hidratos de carbono?

A contagem de hidratos de carbono é muito útil, se não essencial, para quem faz insulina rápida. A insulina rápida é um tipo de insulina que tem um tempo de ação de 15 a 30 minutos, e cuja função é a atuar numa determinada refeição. Já a insulina lenta é uma insulina que demora mais tempo a atuar, mas que tem ação no organismo durante todo o dia.

 

As pessoas com diabetes tipo 1 e certos casos de diabetes tipo 2 (principalmente os de mais difícil controlo), possuem esquemas de insulina lenta conjugada com insulina rápida. Ou seja, uma dose de insulina lenta que atua ao longo do dia, e doses de insulina rápida que são dadas antes de uma refeição, para atuar nessa situação específica. Para sabermos qual a dose que devemos administrar de insulina rápida, precisamos de ter em conta:

 

  • O valor alvo de glicemia antes da refeição;
  • Os níveis de açúcar no sangue antes da refeição e quantidade de insulina rápida que devemos administrar por cada 50mg/dL a mais do valor alvo;
  • A quantidade de porções de hidratos de carbono que vamos ingerir nessa refeição e a quantidade de insulina rápida que devemos administrar por cada porção.

 

O valor alvo de glicemia é um valor individualizado com o seu médico assistente. Consoante esse valor, calcula-se a dose de insulina rápida necessária para, por um lado, corrigir o valor caso este se encontre aumentado e, por outro, compensar os hidratos de carbono nos alimentos.

 

Para ilustrar esta explicação, damos um exemplo:

 

O valor alvo da Maria antes das refeições é de 120mg/dL. Antes de almoçar, mediu a sua glicemia e verificou que era de 170mg/dL. O seu almoço possui 4 porções de hidratos de carbono.

 

A equipa de saúde que segue a Maria acordou que, por cada 50mg/dL de glicemia acima do seu alvo e por cada porção de hidratos de carbono, deveria administrar 1 unidade de insulina rápida. Neste caso em específico, a Maria tem um valor de glicémia 50mg/dL acima do seu alvo e, por isso, deve administrar 1 unidade de rápida. No que toca à refeição, deve administrar 4 unidades de rápida. No total, a Maria deverá administrar 5 unidades de insulina rápida antes do seu almoço.

Se a Maria tivesse 125mg/dL antes da refeição e fosse almoçar uma refeição com 3 porções de hidratos de carbono, deveria dar 3 unidades de insulina rápida. Zero para compensar a sua glicemia prévia e 3 unidades para compensar a refeição.

Como se contam hidratos de carbono?

Uma porção de hidratos de carbono corresponde, regra geral, a 12 gramas de hidratos de carbono. A APDP lançou recentemente uma tabela onde é possível calcular o número de gramas de hidratos de carbono nos vários alimentos.

 

A tabela possui a quantidade exata de gramas de hidratos de carbono por cada 100 gramas dos diversos alimentos. Para isso, é essencial pesar a comida antes de a colocar no prato, de maneira a saber qual a quantidade exata para converter segundo a tabela.

 

Segundo a nova tabela, por exemplo, por cada 100 gramas de pão de trigo integral, 39,9 gramas são hidratos de carbono. Se numa refeição comer 80 gramas de pão de trigo integral, estará a consumir 31,92 gramas (ou 2,66 porções) de hidratos de carbono.

 

No entanto, caso não possa pesar os alimentos, deve atentar aos seus rótulos, nos quais estão descritas as quantidades de hidratos de carbono por cada 100 gramas.

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Como ler os rótulos dos alimentos

Em caso de dúvida, não deixe de consultar o seu médico ou nutricionista sobre se deve ou não fazer a contagem de hidratos de carbono, quais os benefícios para o seu caso e quais as recomentações que deve seguir.

Fontes

Referências

  • Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP)
  • Associação Portuguesa de Nutrição
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