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Diabetes: o impacto na sexualidade

As implicações da diabetes na vida sexual podem ser várias, tanto para homens como para mulheres, mas isso só acontece se a doença não estiver controlada.

A diabetes pode ter várias complicações e os problemas na sexualidade são uma delas e isto tanto é válido para homens como para mulheres, embora as manifestações sejam diferentes nos dois sexos. Prevenção é a palavra de ordem também nestes casos e isso passa por ter a doença controlada. No caso do sexo masculino, «podemos dizer que os doentes com diabetes podem ser afetados por qualquer tipo de disfunção sexual, mas, em geral, têm maior probabilidade de vir a sofrer de disfunção erétil ou de perturbações da ejaculação – como a ejaculação retrógrada – do que a população sem diabetes», refere Helder Simões, endocrinologista na CUF (Hospital CUF Infante Santo, Hospital CUF Descobertas e Clínica CUF Belém).

 

A disfunção erétil, que se define pela incapacidade de obter uma ereção suficiente para consumar um ato sexual satisfatório, é a mais importante em diabéticos e, como afirma o endocrinologista, «resulta de lesões vasculares e/ou neurológicas causadas pelo mau controlo glicémico de forma prolongada e por mau controlo de outros fatores de risco cardiovascular».

 

A ejaculação retrógrada (direcionamento invertido do ejaculado), que deriva de lesão neurológica do sistema nervoso autónomo, é menos comum em comparação com a disfunção erétil, mas ainda assim importante. Podem ainda, realça o nosso entrevistado, «ocorrer outras disfunções sexuais, como redução da libido ou do desejo sexual».

O impacto da diabetes na sexualidade

Prevenir é o caminho

 

Olhemos agora para o sexo feminino. «Como na mulher o ato sexual não está tão dependente da saúde vascular, as disfunções sexuais têm obviamente manifestações diferentes. As mulheres com diabetes e mau controlo glicémico podem ter infeções vaginais e vulvares frequentes, sejam fúngicas ou bacterianas, que podem interferir com o ato sexual. Por outro lado, nos casos de diabetes mal controlada, podem surgir neuropatias autonómicas que podem comprometer a normal lubrificação vaginal, aumentando assim o desconforto durante o ato sexual», explica o endocrinologista. À semelhança dos homens, a redução da libido ou do desejo sexual também pode acontecer.

 

Contudo, as disfunções sexuais em diabéticos não são uma sentença, devendo-se, por isso, apostar na prevenção. «É fundamental controlar e tratar bem a diabetes desde o início para evitar o aparecimento deste tipo de complicações – mesmo em tempos de pandemia como a que vivemos agora», esclarece Helder Simões. Para isso, garante o endocrinologista, «o controlo glicémico é muito importante, mas é igualmente relevante controlar fatores de risco cardiovascular como hipertensão e a dislipidemia. No caso da disfunção eréctil, é fundamental evitar o tabagismo». Mas há outros fatores a ter em consideração, acrescenta Helder Simões. «É também preciso ter em atenção os fármacos escolhidos no tratamento da diabetes e das doenças associadas, como a hipertensão, pois alguns fármacos podem ser mais vantajosos.»

 

Tratar os problemas associados à sexualidade

 

No que diz respeito aos tratamentos, «sendo a disfunção erétil o problema mais comum, os fármacos mais utilizados e eficazes são os inibidores da fosfodiesterase, que melhoram a vascularização do pénis e a qualidade da ereção. Mas existem outros fármacos – os derivados das prostaglandinas – que melhoram a irrigação do pénis, que são aplicados localmente em creme ou injetados. Depois, existem alguns dispositivos de ação mecânica mais complexos e os tratamentos cirúrgicos como a colocação de próteses penianas», avança o endocrinologista. No entanto, «importa dizer que a disfunção erétil é difícil de tratar e o mais sensato é evitar o problema controlando a diabetes desde o início», realça Helder Simões.

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A diabetes e a disfunção sexual feminina

No caso das mulheres, o nosso entrevistado diz que «o recurso a lubrificantes pode ajudar a eliminar o desconforto vaginal». Já «em alguns casos mais raros de redução de desejo sexual, seja nos homens ou nas mulheres, existem disfunções hormonais que podem melhorar através da reposição com esteroides sexuais». Além disso, é fundamental ter acompanhamento psicológico, «pois muitos casos de disfunção erétil ou de baixo desejo sexual têm causa psicogénica ou são agravados por ansiedade e depressão.

 

É também comum que a disfunção sexual seja ela própria causa de frustrações, ansiedade e depressão», esclarece o endocrinologista. Outro aspeto importante é o apoio da/o parceira/o. «O ato sexual é uma parceria por definição. O desempenho sexual depende do desejo/interesse, de condições de relaxamento e de muitos outros fatores. Fazer do ato sexual e tudo o que o envolve um campo de batalha ou um objeto de frustrações e conflito só pode prejudicar o desempenho. Assim sendo, é importante que o elemento afetado por disfunção sexual encontre na(o) parceira(o) o estímulo, a descontração, o apoio e a confiança necessários», sublinha Helder Simões.

Não tenha vergonha

Na verdade, ainda existe bastante vergonha em abordar a sexualidade, mas o endocrinologista Helder Simões acredita que a realidade está a mudar. «Alguns doentes têm ainda dificuldade em utilizar os termos certos e em explicar as suas queixas, e aí é fundamental que o médico os coloque à vontade», diz. O endocrinologista alerta também para o facto de «quando alguns doentes manifestam estas queixas de disfunção erétil significa que passaram muitos anos de mau controlo da diabetes ou de tabagismo e, nessa altura, o processo de lesão vascular habitualmente não pode ser revertido. Significa, por exemplo, que os doentes ficam dependentes da medicação da disfunção eréctil para conseguirem desempenhar um ato sexual satisfatório».

 

 

Referências
  • Revista Saber Viver

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