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O que dizer sobre o pão

Mais do que um hábito de consumo, o pão faz parte da cultura portuguesa: temo-lo de todos os tipos e sabores. No entanto, é preciso saber escolher.

O pão é um alimento que acompanha o homem há muitos e muitos séculos, e que subsiste até aos dias de hoje como parte integrante e bastante presente na alimentação em todos os locais do mundo.

Um pouco de história

Quando o Homem decide sedentarizar-se, começa a descobrir que existem cereais selvagens que pode consumir. Começa a perceber que condições favorecem o seu aparecimento, crescimento e posterior cultivo. Ou seja, começa a fazer agricultura e a evoluir em relação à matéria-prima em si e às formas de cultivar estes cereais, bem como a progredir nos métodos de colheita e armazenamento. Estes cereais, que inicialmente eram consumidos crus, passaram a ter outras formas de consumo: torrados ou cozinhados e já mais tarde moídos para dar origem à farinha. Foi o povo egípcio que descobriu uma nova forma de trabalhar essa farinha, que após a ligação à utilização do forno, dava origem a uma massa fofa e bastante saborosa.

 

Em diante funcionou como moeda de troca em comunicações comerciais mas também como forma de pagamento por serviços prestados. Na Idade Média, era o pão escuro e duro o alimento dos mais desfavorecidos, do povo, enquanto os senhores das terras e do clero comiam o pão mais fofo, fresco e com mais sabor.

O consumo de pão em Portugal

Em Portugal, o pão faz parte dos hábitos alimentares de toda a população. Segundo o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física, realizado em 2015-2016, os portugueses consomem em média 100g de pão por dia, sendo os idosos os maiores consumidores (113g/dia). No entanto, tanto as crianças como os adolescente consomem mais do subgrupo bolos, doces e bolachas do que pão.

 

O consumo de pão está ainda muito associado ao aumento de peso e à ingestão de sal, contudo, durante a quarentena, talvez pela necessidade de restringir as saídas de casa, o pão caseiro foi um alimento que ganhou espaço nas cozinhas dos portugueses, chegando mesmo a esgotar algumas farinhas e fermentos nos vários locais de venda.

 

Hoje sabe-se que o consumo de pão por si só não promove o aumento de peso, mas sim a quantidade excessiva que se ingere, não só de pão, mas, do que se escolhe para o rechear ou acompanhar. Além disso, há que ter atenção também aos substitutos para ele encontrados, bem como de todos os outros alimentos que constituem a dieta habitual da pessoa. O obstáculo nem sempre é o pão, por isso, se pretende perder peso ou ter uma alimentação mais saudável, não deixe de consultar um(a) nutricionista.

 

Em relação ao teor de sal, foi publicada uma lei em 2009, Lei n.º 75/2009, que estabelece como teor máximo de sal de 1,4g por cada 100g de pão. No mesmo ano foi firmado um acordo com a industria de panificação que estabelece a redução gradual para 1g de sal por 100g de pão até final de 2021.

Os diferentes tipos

Para fabricar pão é necessário ter farinha, água, sal e fermento. As farinhas são obtidas através de grãos de cereais como o trigo, o milho e o centeio. É possível também adicionar sementes ou frutos secos. Da combinação de todos estes ingredientes resulta uma série de possibilidades, que cada zona do país trabalha e chama como sua, tornando-se o pão característico dessa zona.

 

Ao nível nutricional, nem todos os pães são iguais. Começando com o tipo de cereal que deu origem à farinha e o facto de esta poder ser mais ou menos refinada, passando pela adição de mais ou menos sal, de sementes ou frutos secos, azeitonas ou passas. Todos estes aspetos fazem variar a qualidade do pão. No entanto, na sua generalidade, o pão é uma excelente fonte de energia por ser um alimento rico em hidratos de carbono complexos e sem adição de açúcares ou de gordura. A quantidade de fibra e de vitaminas e minerais é variável consoante o cereal e o refinamento da farinha utilizada, uma vez que no processo de refinação da farinha perde-se a casca do cereal, onde se concentra a fibra e uma série de vitaminas e minerais importantes, sendo um pão mais rico aquele que for constituído por uma farinha menos refinada.

 

O pão é um alimento muito versátil, que pode ser consumido de variadas formas, e também assume vários formatos, tamanhos e densidades. De um modo geral, um pão mais rico em fibra terá um índice glicémico mais baixo, o que contribui para uma resposta mais lenta na glicemia e para uma saciedade maior e mais prolongada. De seguida seguem-se os tipos de pão mais comuns e um resumo das suas características e influências.

 

 Carcaça ou Papo-seco

 

É um pão à base de farinha de trigo bastante refinada, o que resulta num pão leve e fofo, mas pobre em fibra. Ou seja, a sua digestão/absorção é habitualmente mais rápida, não trazendo uma sensação clara de saciedade.

 

Pão de Mafra

 

Apresenta várias configurações, desde redondo a retangular ou em forma de bola. É um pão com mistura de farinha de trigo tipo 80 e de centeio, com uma elevada percentagem de água tornando o miolo macio. Pela mistura de farinhas, tem um pouco mais de fibra que o pão anterior.

 

Pão Alentejano

 

É um pão de grandes dimensões feito com farinha de trigo geralmente tipo 65. É conhecido por todo o país como um pão denso e compacto e é esta característica em concreto que o torna um pão pesado. Apesar de ter uma farinha de tipo 65, um pouco menos refinada que a utilizada para a carcaça, não é muito diferente desta em fibra.

 

Pão de Centeio

 

Feito à base de farinha de centeio assume uma tonalidade mais escura que o pão de trigo. Pode também encontrar-se pão de centeio integral, onde a farinha é menos refinada e, por isso, com mais fibra.

 

 Pão de Milho ou Broa de Milho

 

Neste tipo de pão prevalece a farinha de milho, apesar de em alguns locais haver mistura com farinha de trigo. Tem o miolo denso e macio, por isso torna-se um pouco pesado.

 

Pão integral

 

É feito de uma farinha de trigo muito pouco refinada, conferindo-lhe um alto teor em fibra, tendo uma digestão/absorção mais lenta e uma maior saciedade. A este pão é bastante comum a adição de sementes, o que contribui para melhorar o paladar e aumentar a fibra.

 

Pão São Diabetes

 

Tem uma grande mistura de ingredientes como as farinhas de trigo, de centeio e de tremoço, flocos de aveia, sementes de girassol e linhaça, entre outros, que contribuem para a riqueza em fibra e vitaminas e minerais. Por isso, tem também uma digestão/absorção lenta. Este pão conta também com redução de sal, um teor proteico superior aos restantes e é enriquecido com ómega-3.

 

Pão Low-Carb e Shap

 

Nestes tipos de pão verifica-se uma redução significativa da quantidade de hidratos de carbono, contendo geralmente uma grande variedade de sementes. Mais rico em proteína e gordura. Espera-se que tenham também uma absorção lenta, apesar de não haver informação que o possa confirmar.

 

 Pão de Forma

 

O pão de forma industrial utiliza, na sua maioria, uma farinha muito refinada e tem habitualmente adição de açúcar bem como de outros conservantes. Há, também, versões com uma farinha mais integral ou com mistura de cereais e até com 0% de adição de açúcar. Os rótulos são sempre uma boa ajuda.

Comparar os diferentes tipos

A tabela que se segue resume a informação nutricional de alguns pães (por 100 g de pão) para que possa comparar:

 

Nesta segunda tabela é possível encontrar a composição nutricional de alguns alimentos que, em muitos casos, são as escolhas das pessoas quando querem ou acham que devem evitar o pão. Como se pode ver e comparando valores, são alimentos mais pobres em fibra, muitos com adição de açúcar, com muito mais quantidade de gordura e geralmente de má qualidade, do tipo trans/hidrogenada ou saturada.

 

Uma das regras principais de uma alimentação saudável é esta ser variada. Além disso, um dos fatores importantes para um bom controlo da diabetes é o controlo da quantidade e da frequência. Varie o máximo que puder, controle a quantidade que ingere e evite os alimentos mais ricos em açúcar e em gordura de má qualidade.

 

Fontes

Referências

  • Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP)
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