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Gordura no fígado: um problema na diabetes

O fígado gordo, ou esteatose hepática, é um problema que pode ocorrer na diabetes. Hoje vamos falar em que consiste, na sua gravidade e se existe tratamento.

O fígado gordo é uma condição bastante frequente, caracterizada pela acumulação excessiva de gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática. O fígado gordo é grosseiramente dividido em dois grandes grupos: fígado gordo de origem alcoólica e fígado gordo de origem não alcoólica. Hoje iremos focar-nos no último grupo.

Existe relação entre a gordura no fígado e a diabetes?

A diabetes e a resistência à insulina aumentam o risco de vir a desenvolver fígado gordo, ao ponto de cerca de dois terços dos diabéticos apresentarem esteatose hepática.

 

A relação entre doença hepática e diabetes é uma relação bidirecional. Isto significa que tanto a diabetes pode ter como complicação a doença hepática, como doenças hepáticas podem causar diabetes, por influenciarem o metabolismo da glicose.

 

Outros fatores de risco para vir a desenvolver fígado gordo não alcoólico incluem o excesso de peso e obesidade, principalmente nos casos em que a gordura está acumulada a nível abdominal. Aqui, a medição do perímetro abdominal é de extrema importância para avaliar o risco. Níveis de colesterol e triglicéridos elevados também potenciam o desenvolvimento de fígado gordo, independentemente de existir obesidade.

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Como perder gordura abdominal?

Quais os perigos do fígado gordo?

 

O fígado gordo não alcoólico, por si só, não é uma condição problemática, mas sim um alerta para um problema subjacente (por exemplo, o excesso de peso). No entanto, em certos casos, com a acumulação de gordura a longo prazo no fígado, pode desenvolver-se uma inflamação generalizada, chamada de esteatohepatite não-alcoólica.

 

A progressão da esteatose hepática para esteatohepatite não alcoólica é difícil de prever. A evidência científica aponta para que a diabetes e a obesidade possam ser fatores de risco para o desenvolvimento de Esteatohepatite não-alcoólica. A partir do momento em que existe esteatohepatite, existe um risco de ocorrer fibrose e cirrose hepática, doenças graves do fígado.

 

Como posso saber se tenho fígado gordo?

 

O diagnóstico de fígado gordo não alcoólico faz-se através de análises ao sangue, nomeadamente pelo aumento das transaminases (marcadores de lesão hepática), em conjunto com a ecografia abdominal superior.

 

Para além disso, é necessário não haver história de consumo de álcool regular e excluir-se outras causas de doença hepática, como hepatites virais.

 

A biópsia ao fígado é o método gold standard de diagnóstico e o único que consegue distinguir a esteatose hepática da esteatohepatite. No entanto, é um procedimento invasivo, pelo que não se faz rotineiramente. Existem indicações médicas para realização de biópsia, que devem ser discutidas com o seu médico assistente.

 

Se tem diabetes, excesso de peso, colesterol ou triglicéridos elevados, existe um risco acrescido de ter fígado gordo. É muito importante que visite o seu médico com regularidade e faça análises de rotina para descartar alguma lesão no seu fígado. A deteção precoce de alterações no fígado permite um tratamento atempado, de maneira a evitar progressão para inflamação generalizada.

 

Qual o tratamento?

 

Atualmente, o tratamento aceite para o fígado gordo não alcoólico consiste na perda de peso e alimentação saudável, com enfoque na diminuição das gorduras. O objetivo passa por tratar a causa subjacente e adotar um estilo de vida saudável, do qual devem fazer parte uma alimentação equilibrada e exercício físico regular.

 

Como prevenir?

 

Antes de pensarmos no tratamento do fígado gordo, devemos pensar na sua prevenção. A manutenção de um peso saudável, uma dieta pobre em gorduras e atividade física frequente são comportamentos que estão ao nosso alcance e impedem o aparecimento de complicações, como o fígado gordo. No caso da diabetes, manter um bom controlo glicémico e a doença controlada é essencial para evitar ou atrasar o aparecimento de complicações, incluindo as doenças de fígado.

 

Por fim, junte-se à comunidade Diabetes 365º!

Referências
  • Dynamed

  • MSD Manuals

  • Giestas S, et al., 2015.

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