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O que são complicações agudas da diabetes?

A diabetes pode desencadear complicações agudas (de curto prazo) ou crónicas (que se mantêm no longo prazo). Hoje explicamos-lhe o que são as complicações agudas da doença!

A diabetes é uma doença complexa e que pode espoletar várias complicações. Estas podem ser classificadas como complicações agudas da diabetes ou complicações crónicas. Mas eis um pouco mais para que possa perceber o que as diferencia:

 

  • Complicações crónicas, como, por exemplo, a retinopatia, a nefropatia, a neuropatia, o pé diabético, a doença cardiovascular, entre outras. Ou seja, complicações que se desenvolvem de forma progressiva ao longo de um período de tempo alargado, e que podem conduzir a danos graves, se não forem tratadas adequadamente.

 

  • Ccomplicações agudas, que podem surgir a qualquer momento, requerendo atenção imediata. As complicações agudas  podem dever-se tanto a níveis glicémicos muito altos (hiperglicemia), como é o caso da cetoacidose diabética e do estado hiperglicémico hiperosmolar, como a níveis glicémicos muito baixos (episódios de hipoglicemia). Ambas as condições podem dever-se a um desequilíbrio entre os vários fatores a controlar na diabetes. Ou seja, e a título de exemplo, a medicação (insulina ou antidiabéticos orais), a ingestão de alimentos e a atividade física. Este tipo de complicações agudas são relativamente frequentes e graves, exigindo um reconhecimento, diagnóstico e tratamento rápido.

As complicações agudas da diabetes

Cetoacidose diabética e estado hiperglicémico hiperosmolar

 

A cetoacidose diabética e o estado hiperglicémico hiperosmolar são complicações agudas. Estas desenvolvems-se como consequência de uma deficiência total ou grave de insulina, o que impede a entrada de glicose para as células. Além disso, há um aumento de algumas hormonas (como, por exemplo, o glucagon e o cortisol) com uma ação oposta à da insulina para tentar fazer com que a glicose chegue às células. Em conjunto, estas hormonas estimulam um aumento da concentração de glicose no sangue que leva à hiperglicemia.

 

No início, a hiperglicemia resultante é acompanhada por «diurese osmótica», na qual os rins passam a filtrar mais sangue e é produzida mais urina do que o normal, que passa também a ter glucose presente. Contudo, chega um momento em que este mecanismo de compensação deixa de ser suficiente, e a perda de água reduz o volume de sangue, a função renal é comprometida e há uma progressão ainda maior da hiperglicemia.

 

O que caracteriza a cetoacidose diabética?

 

Se os níveis de insulina forem muito reduzidos ou nulos, as células não recebem glicose suficiente. Ou seja, o organismo passa a usar a gordura como fonte de energia, num processo em que são produzidas cetonas. As cetonas são compostos que, uma vez presentes em níveis muito elevados no sangue, causam um estado de «acidose metabólica». Dependendo da extensão desta acidose metabólica (ligeira, moderada ou grave), maior será a gravidade da cetoacidose diabética. Além disso, concentrações altas de cetonas em conjunto com a hiperglicemia levam a um aumento da frequência com que o doente urina. Isto leva a uma redução do volume total de sangue e compromete o funcionamento dos rins, aumentando ainda mais a concentração de açúcar no sangue.

 

A cetoacidose diabética é uma síndrome progressiva. Nos estádios menos graves, o doente poderá experienciar, por exemplo, sede, boca seca, necessidade frequentemente de urinar, perda de peso, para além de hiperglicemia e níveis altos de cetonas no sangue. Posteriormente, o doente poderá começar a sentir cansaço, náuseas, vómitos ou dor abdominal, padrão respiratório alterado (respiração de Kussmaul), desconcentração, confusão e o hálito poderá ter um odor frutado.

 

O que distingue o estado hiperglicémico hiperosmolar da cetoacidose diabética?

 

O estado hiperglicémico hiperosmolar é uma síndrome que se caracteriza pela presença de hiperglicemia e desidratação extrema, sem um aumento dos níveis de cetonas no sangue. Apesar de estes doentes terem também deficiência de insulina, ao contrário dos que desenvolvem cetoacidose diabética, estes doentes apresentam níveis superiores de insulina. Além disso, as concentrações no sangue de hormonas contrarreguladoras da insulina e de ácidos gordos livres, produtos que intervêm no mecanismo de transformação de gordura em energia são, também, inferiores. Este processo demora mais tempo a desenvolver-se e as manifestações clínicas são mais graves, podendo incluir estados de inconsciência.

 

Estima-se que menos de 1% das admissões hospitalares de doentes com diabetes se devam ao estado hiperglicémico hiperosmolar. Esta síndrome é mais comum em idosos com diabetes tipo 2 e as infeções são a causa mais comum. Cerca de 20% não tem um diagnóstico anterior de diabetes. Os sintomas mais frequentes incluem, por exemplo, aumento da necessidade de urinar, sede, náusea, pele seca, e em estádios mais graves, desorientação, confusão e perda gradual de consciência.

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Afinal o que é a hipoglicemia noturna?

Episódios de hipoglicemia

 

A hipoglicemia é uma das complicações agudas da diabetes mais frequentes e grave. Estima-se que cerca de 30 a 40% dos doentes com diabetes tipo 2 e que 10 a 30 % dos doentes com diabetes tipo 2 em tratamento com insulina sofram crises de hipoglicemia graves. Estima-se ainda que muitos experienciam mais do que uma crise por ano.

 

Entre os sintomas mais descritos incluem-se tremores, ansiedade, suores, calafrios, irritabilidade, confusão, náusea, sonolência e aumento do número de batimentos cardíacos. A única forma de confirmar que está a sofrer de hipoglicemia é medindo os níveis. Na dúvida, tome medidas de tratamento adequadas para a hipoglicemia.

 

A American Diabetes Association (ADA) define como hipoglicemia níveis 70 mg/dL. As crises de hipoglicemia podem ser:

 

  • Graves, quando há necessidade de assistência de outra pessoa para administrar ativamente hidratos de carbono, glucagon (uma hormona) ou prestar outro tipo de auxílio;

 

  • Ligeiras, situações em que se verificam valores de glicemia abaixo dos 70 mg/dL e os sintomas podem ser geridos pelo próprio doente, não sendo necessário ir às urgências hospitalares;

 

  • Assintomáticas, quando valores estão abaixo dos 70 mg/dL, mas não são acompanhados pelos sintomas tipicamente descritos.

 

Entre os fatores que contribuem para a hipoglicemia, encontram-se:

 

  • Perceção limitada do doente (dificuldade em reconhecer sintomas, como atuar, ingestão de alimentos, medicação);
  • Toma de medicamentos que aumentam o risco de hipoglicemia;
  • Erros na administração de insulina;
  • Dieta irregular (intervalos muito grandes entre refeições, alimentação desequilibrada, etc.);
  • Insuficiência renal ou hepática;
  • Deficiência de alguns tipos de hormonas;
  • Idade > 65 anos de idade.

 

A maioria dos episódios pode ser prevenida ou limitada a eventos ligeiros, prestando educação aos doentes, sobre o risco, sintomas e tratamento adequado, ou através da alteração da estratégia de tratamento (que deverá ser feita pelo médico), por exemplo, ao adequar o tratamento com insulina.

Fontes

Referências

  • Pasquel FJ & Umpierrez GE, 2014
  • Umpierrez G & Korytkowski M, 2016
  • American Diabetes Association Workgroup on Hypoglycemia
  • Diabetes UK
  • American Diabetes Association (ADA)
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