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Obesidade infantil: conselhos de prevenção

Em Portugal, 1 em cada 3 crianças é obesa ou tem excesso de peso, um dos fatores de risco para a diabetes tipo 2. Saiba como prevenir.

Uma criança obesa é facilmente vítima de bullying e de outras formas de discriminação, com consequências ao nível da autoestima e do rendimento escolar. Além disso, uma criança com obesidade infantil está mais sujeita a sofrer de depressão e outras doenças do foro psicológico na idade adulta, caso não tenha o acompanhamento adequado durante a infância. Muito provavelmente, uma criança obesa será um adolescente e adulto propenso a desenvolver problemas de saúde graves, como doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes, asma, apneia do sono, doenças hepáticas e diferentes tipos de cancro.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é a segunda causa de morte evitável à escala global, precedida apenas pelo tabagismo.

 

Estes dados chocam. E chocam ainda mais quando os números mais recentes revelam que, em Portugal, mais de 30% das crianças com idades entre os dois e os 12 anos sofre de excesso de peso ou é obesa. Um estudo realizado em 2013/2014 pela Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (APCOI), que acompanhou 18374 crianças, revelou que 33,3% tinham excesso de peso, sendo que 16,8% já eram obesas.

Os números de 2014 da OMS confirmam esta realidade: aos 11 anos, 32% das crianças portuguesas têm excesso de peso. As estatísticas colocam Portugal entre os países europeus mais afetados pelo excesso de peso e obesidade infantil. 

 

Causas da obesidade infantil

Uma criança é considerada obesa quando o seu peso ultrapassa em 15% o peso médio correspondente à sua idade. Tal como nos adultos, os fatores que dão origem à obesidade infantil são uma conjugação de causas comportamentais, biológicas e psicológicas.

 

O sedentarismo, o consumo exagerado de alimentos ricos em gordura e açúcar, distúrbios hormonais, doenças genéticas e padrões comportamentais estão entre as principais causas apontadas. 

 

Nos últimos anos, os hábitos alimentares alteraram-se. Os países do sul da Europa – que tradicionalmente tinham uma alimentação mais saudável – adotaram alimentos mais calóricos, muitas vezes industrializados, que são consumidos por toda a família, deixando de lado as frutas e vegetais, cujo consumo decresceu. Ainda para mais, de acordo com a APCOI, mais de 90% das crianças portuguesas consomem fast food, doces e refrigerantes pelo menos quatro vezes por semana, menos de 1% bebe água todos os dias e só 2% ingere fruta fresca diariamente. 

 

Estilo de vida que favorece a obesidade infantil 

À alteração dos hábitos alimentares juntou-se a mudança de estilo de vida. Grande parte da população abandonou o centro das cidades, o que implica mais tempo perdido em viagens entre casa e o trabalho, menos horas de sono e um descurar da atividade física. De referir que o sono é igualmente essencial para a manutenção de um peso saudável. Na verdade, mesmo que os outros fatores de risco sejam controlados, crianças e adultos com horários de sono irregulares e relógios biológicos indefinidos têm mais tendência para ganhar peso.

 

De pequenino… se combate o excesso de peso

A prevenção da obesidade infantil deve começar antes ainda do nascimento. Na verdade, o risco de uma criança vir a ser obesa ou a desenvolver excesso de peso começa ainda durante a gravidez, e é maior nos casos em que a mãe é obesa ou faz uma má alimentação durante a gestação, com um elevado consumo de açúcares, gorduras e alimentos processados.

 

Stresse, tabagismo, e um excessivo aumento de peso durante a gravidez também potenciam a obesidade na criança. Assim, é importante que a grávida tenha uma alimentação saudável e não descure a sua boa forma física.

 

Depois do nascimento, deve ser privilegiada a amamentação materna até aos seis meses, adiando a introdução de novos alimentos. A passagem para o consumo de alimentos sólidos é um marco para a família e é determinante para o futuro da criança, já que os hábitos alimentares formam-se durante os dois primeiros anos de vida.

Assim, há que dar preferência desde logo ao consumo de frutas, legumes e carnes magras e evitar dar doces e alimentos ricos em gordura até a criança ter dois anos, mesmo que «só para experimentar». 

 

Uma boa estratégia para que a criança aprenda a comer um pouco de tudo é a introdução de um alimento novo todas as semanas. Caso a criança não goste ou demonstre pouco interesse, o melhor é tentar de novo passados uns dias.

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3 sopas para quem tem diabetes

Tal como o gosto pela alimentação saudável, a prática de atividade física também deve ser fomentada desde sempre.

O papel dos pais na prevenção da obesidade infantil

Embora seja impossível controlar tudo, os pais têm um papel fundamental na criação de hábitos alimentares nos filhos. Nem sempre é fácil e o mais simples é usar o bom senso na altura de educar para comer. 

 

Mais do que os sermões sobre as vantagens de comer bem ou contra determinados alimentos, os pais e encarregados de educação devem ter um comportamento que demonstre como uma boa gestão do peso resulta de escolhas alimentares adequadas e da prática de atividade física, evidenciando a forma positiva como estas escolhas se refletem na autoimagem e autoestima.

 

Os pais devem apostar no abastecimento saudável da despensa e do frigorífico. Os estudos mostram que proibir determinados alimentos acaba por desenvolver ainda maior apetência por comida calórica – a velha história do fruto proibido ser o mais apetecido – além de atrasar o desenvolvimento dos mecanismos de auto-regulação e autocontrolo na criança.

 

Feita a gestão do tipo de alimentos que entram em casa, evitando os mais calóricos, há que controlar as quantidades ingeridas. Mesmo os alimentos saudáveis, quando consumidos em excesso, podem ter consequências nefastas ao nível do excesso de peso e da obesidade. Ver uma criança comer com gosto e de forma saudável é uma alegria para todos os pais, mas isso não implica exagerar nas porções. Servir a comida em pratos pequenos e com talheres de sobremesa é uma forma eficaz de controlar as quantidades.

 

A escola é igualmente outro dos campos onde os pais podem e devem mostrar-se mais ativos. Conhecer as ementas escolares, participar nas reuniões de turma e nas atividades das associações de pais, no sentido de promover o fornecimento de alimentos saudáveis nas escolas, é um passo importante contra a obesidade infantil.

 

Quando prevenir não é suficiente

 

A maioria dos especialistas tende a evitar a aplicação de dietas restritivas no tratamento da obesidade infantil. Em vez disso, nestes casos o tratamento consiste na adoção de uma alimentação mais saudável e no aumento da prática de uma atividade física regular. 

 

No que toca à reeducação alimentar da criança há regras que não podem ser esquecidas. Evitar passar mais de 3 horas sem comer, beber 1 litro de água por dia, comer 5 doses diárias de fruta e legumes, servir as refeições principais em pratos pequenos, bem como não comer em frente da televisão, do computador ou da consola são as principais. 

 

O pequeno-almoço tem um papel fundamental na alimentação – tanto das crianças como dos adultos. Se a primeira refeição do dia incluir alimentos dos sete grupos da roda alimentar, a criança fica com um quarto das suas necessidades alimentares supridas. Tomar o pequeno-almoço é uma garantia de melhor capacidade de concentração, aprendizagem e comportamento. 

 

A atividade física durante a infância é importante a vários níveis. Não só ajuda a fortalecer ossos e músculos, como aumenta a auto-estima e melhora o desempenho escolar. Além de ser divertido, é claro. Mesmo assim, nem sempre é fácil pôr os mais novos «a mexer». 

 

O mais simples poderá ser deixar a criança experimentar diferentes tipos de desporto – natação, ginástica, esgrima, ballet, futebol – para que possa escolher a que mais gosta e a passe a praticar de forma regular. Além disso, em casa, os mais pequenos podem sempre ajudar em tarefas como a lavagem do carro ou a limpeza doméstica, para gastar mais umas calorias. Optar por andar ou ir de bicicleta quando os percursos não são demasiado longos ou incluir sempre uma corrida ou caminhada nas atividades da família são outras das estratégias possíveis para tornar as crianças mais ativas.

 

Conselhos para os pais 

 

Lembre-se que «comportamento gera comportamento» e nada melhor do que o exemplo para motivar as crianças:

 

  • Não use a comida como prémio ou castigo.

 

  • Transforme as horas da refeição em momentos de partilha e convívio familiar.

 

  • Dê o exemplo e inicie cada refeição (almoço ou jantar) com um prato de sopa.

 

  • Prepare os pratos e leve-os já feitos para a mesa. A travessa ou a panela são uma tentação a manter longe da vista!

 

  • Se a criança disser que tem fome no final da refeição, diga-lhe que poderá comer passados 20 minutos. Ao fim deste período, regra geral, já não tem fome.

 

  • Limpe a despensa de tentações – guloseimas, refrigerantes e batatas fritas devem desaparecer.

 

  • Decrete um «dia semanal da gulodice» para ingestão de guloseimas e fast food, mas com moderação!

 

  • Caso a criança coma muito depressa e mastigue mal os alimentos, incentive-a a comer com talheres de sobremesa e a contar até 20 ou 25 enquanto mastiga.

 

  • Regra geral, as crianças tendem a rejeitar alimentos que não conhecem – introduza os novos alimentos de forma calma e gradual. Se necessário, explore as cores e conte histórias que estimulem a curiosidade infantil.

 

  • O ideal é que a criança coma cinco vezes ao dia com intervalos de três horas. 

 

  • Sopa de legumes (ao almoço e ao jantar), vegetais, 3 peças de fruta e cerca de meio litro de leite ou substitutos devem fazer parte da alimentação diária da criança.

 

  • Escolha opções saudáveis para os lanches escolares e em casa: iogurte líquido, uma maçã ou metade de um pão escuro com queijo flamengo. Se levar a criança às compras consigo, aproveite para ensiná-la a escolher as opções mais saudáveis.

 

  • Incentive a criança a praticar uma atividade desportiva do seu agrado. 

 

 

Fontes

Referências

  • Revista pH
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