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5 aspetos a saber sobre a metformina

A metformina é um antidiabético oral muito utilizado no tratamento da diabetes tipo 2. Descubra 5 aspetos sobre este fármaco que sabemos graças à investigação científica.

A metformina é o medicamento oral para o tratamento da diabetes tipo 2 mais utilizado em todo o mundo. Mesmo passadas várias décadas após a sua disponibilização no mercado, a metformina é ainda vista como um pilar do tratamento de doentes com diabetes tipo 2 pela sua eficácia na redução dos níveis de glicemia, custo reduzido, por não causar aumento de peso corporal assim como por ter um perfil de segurança globalmente positivo.

1. Existem várias hipóteses propostas para explicar a ação da metformina

Apesar de ser um fármaco importante no tratamento da diabetes e de existirem poucas dúvidas quanto à sua eficácia e perfil de tolerabilidade, não se sabe ainda clara e totalmente como atua na redução dos níveis de glicemia. Várias explicações foram propostas, por exemplo:

 

  • Reduz a produção de glicose que é feita no organismo a partir de compostos que não são hidratos de carbono (num processo com o nome estranho de gliconeogénese) no fígado e rim;
  • Diminui a absorção de glicose no trato gastrointestinal;
  • Estimula a diretamente os tecidos, removendo a glicose do sangue;
  • Reduz os níveis no sangue da hormona glucagon (responsável, entre outras funções, por aumentar os níveis de glicemia).

2. A metformina controla os níveis de açúcar no sangue sem estar associada a crises de hipoglicemia

A hipoglicemia é definida como níveis de açúcar no sangue abaixo do normal (normalmente abaixo dos < 70 mg/dL) em que a pessoa afetada tem de tomar medidas para que os valores regressem ao normal.

 

Geralmente, a hipoglicemia é acompanhada por tremores, nervosismo e ansiedade, suores, calafrios, irritabilidade ou impaciência, confusão, dores de cabeça, entre outros sinais e sintomas.

 

Apesar de ser mais comum em doentes com diabetes tipo 1, as crises de hipoglicemia podem também ocorrer em doentes com diabetes tipo 2 a tomar insulina ou alguns tipos de medicamentos orais. A vasta experiência de utilização da metformina permitiu compreender que o seu uso não está associado a este tipo de situações.

3. Uma das primeiras escolhas no tratamento da diabetes tipo 2

A escolha do tratamento que mais se adequa a cada doente depende da avaliação de um médico que saberá certamente qual o melhor caminho. Ainda assim, e uma forma geral, a metformina é muito usada como o primeiro fármaco a ser prescrito pelo médico em doentes diagnosticados com diabetes tipo 2, sendo ainda muito usado tanto sozinho, como em combinação com outros fármacos (num único comprimido ou em comprimidos separados).

 

Uma vez iniciado o tratamento com metformina, este deverá ser continuado, desde que seja bem tolerado pelo doente e não esteja contraindicado. Contudo, outros fármacos podem ser incluídos no regime de tratamento, inclusivamente a insulina.

 

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4. O tratamento com metformina permite prevenir a longo prazo algumas das complicações da diabetes

Para além do seu efeito no controlo da glicemia, a longo prazo, o tratamento com metformina permite um benefício contínuo em algumas das complicações da diabetes. Está, por exemplo, associada a uma diminuição do risco enfarte do miocárdio e de morte seja qual for a causa.

5. A metformina tem um perfil de segurança bem descrito

A utilização de qualquer medicamento pressupõe sempre uma escolha que tem em conta os seus benefícios e riscos potenciais. Mais de 60 anos de experiência de utilização da metformina mostram-nos que esta não parece estar associada a problemas graves nos doentes que foram tratados com este medicamento.

 

A grande exceção descrita até ao momento é o aumento dos níveis de ácido lático, que é, na maioria das vezes, apenas possível de detetar através de análises clínicas. Ou seja, não causa manifestações assinaláveis pelo doente (exceto nos casos em que, por qualquer motivo, o doente tomou uma dose superior à recomendada).

 

Apesar disto, por precaução, o uso de metformina não é encorajado em pessoas que tenham uma tendência maior para ter níveis de ácido lático mais altos do que o normal, como pessoas com problemas hepáticos (no fígado) ou renais, ou pessoas com insuficiência cardíaca.

 

A maior causa de incómodo indicada por pessoas a serem tratadas com metformina —cerca de 25 % — é a ocorrência de problemas gastrointestinais, mais concretamente de inchaço, diarreia e náuseas. No entanto, este efeito adverso do medicamento poderá ser mitigado através de um aumento gradual da dose.

 

Ainda assim, cada caso é um caso e, por isso, caso tenha dúvidas relativas ao seu tratamento ou possíveis efeitos secundários, entre em contacto com o seu médico para esclarecer todas as questões.

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Fontes

Referências

  • Flory J & Lipska K, 2019
  • SanchezRangel E & Inzucchi SE, 2017
  • American Diabetes Association (ADA)
  • Holman RR, et al, 2008
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