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A história da insulina (e do tratamento)

De certeza que já ouviu falar da hormona chave da diabetes. Neste artigo, contamos-lhe a história da insulina.

A insulina é uma hormona naturalmente produzida pelo pâncreas. É a responsável por fazer com que a glicose (açúcar) dos alimentos entre nas células. Mas qual é o seu papel na diabetes? Como se descobriu esta relação e a sua importância? Hoje vamos contar-lhe a história da insulina.

As funções da insulina

Sempre que ingerimos hidratos de carbono (pão, massa, arroz, batatas, cereais, doces…), estes são transformados em glicose (açúcar). Esta glicose passa para a corrente sanguínea e, com a ajuda da insulina, entra nas células. Aí, é usada para a obtenção de energia.

 

Por outro lado, a insulina tem um papel fundamental no controlo da glicemia. Quando existe demasiada glicose em circulação, a insulina «diz» ao fígado para armazenar o excesso. Assim, quando os nossos níveis de glicose estão baixos, o corpo vai buscar esta glicose armazenada para obter energia. Isto acontece quando estamos demasiadas horas sem comer, em situações de stresse, quando praticamos exercício físico…

Papel da insulina na diabetes

A diabetes ocorre quando o corpo:

 

  • não consegue produzir insulina de forma natural – diabetes tipo 1
  • perde a sensibilidade à insulina e não a consegue utilizar de forma eficaz – diabetes tipo 2

 

Por isso, em algumas pessoas com diabetes, o tratamento passa pela injeção de insulina. Na diabetes tipo 1, como o corpo não produz nenhuma insulina, a administração artificial é fundamental. Na diabetes tipo 2, os níveis de glicose podem ser controlados com mudanças de alimentação e estilo de vida e com antidiabéticos orais. No entanto, quando estas medidas não são suficientes, pode ser recomendada a administração de insulina. Como vê, a insulina tem um papel protagonista na diabetes.

História da insulina

Antes de ser descoberto o seu papel e de existir insulina para administração artificial, a esperança média de vida das crianças com diabetes era bastante curta. No caso dos adultos que desenvolviam diabetes tipo 2, o prognóstico também não era nada favorável.

 

As pessoas diagnosticadas com diabetes eram colocadas em dietas que envolviam jejum e uma forte restrição calórica. Apesar de estas medidas atrasarem um pouco o momento do coma e morte, os resultados não eram significativos. Antes de 1921, era raro que as pessoas diagnosticadas com diabetes vivessem mais de 1 ou 2 anos.

 

Por isso, o maior avanço do início do séc. XX no campo da endocrinologia (especialidade que estuda o sistema hormonal), foi precisamente a descoberta da insulina.

 

Mais de 30 anos de investigação

 

  • 1889 – é demonstrado que a remoção do pâncreas em cães causa o aparecimento de diabetes.

 

  • 1901 – verifica-se a relação entre uma falha no funcionamento de células específicas do pâncreas e a diabetes. Conclui-se que essas células produzem uma substância que ajuda no metabolismo dos hidratos de carbono.

 

  • 1920 – em novembro, o médico Frederick Banting procura o Professor e Cientista John Macleod para que juntos descobrissem uma forma de extrair a insulina do pâncreas de cães, sem a danificarem.

 

  • 1921 – em maio, Banting, Macleod e o estudante Charles Best, começam a investigação. Lentamente, conseguem isolar a insulina. Em novembro, conseguem tratar eficazmente cães sem pâncreas com este novo extrato. Um mês mais tarde, com a ajuda de Collip, um bioquímico, conseguem purificá-la a partir de insulina bovina, para começar a administração em humanos.

 

  • 1922 – em janeiro, no Canadá, a equipa administra pela primeira vez o tratamento com insulina em humanos. Um rapaz de 14 anos com diabetes tipo 1 foi a primeira pessoa a recebê-lo. No entanto, a molécula ainda não era pura o suficiente e o rapaz sofreu uma forte reação alérgica. Nos 12 dias seguintes, Collip conseguiu purificá-la ainda mais. O tratamento voltou a ser administrado, desta vez com um enorme sucesso e sem efeitos secundários.

 

Da noite para o dia, o prognóstico dos doentes com diabetes melhorou substancialmente. Passou de uma sentença de morte certa à possibilidade de uma vida prolongada e com qualidade. Em 1923, Banting e Macleod receberam o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta e isolamento da insulina. Ambos repartiram o prémio com Best e Collip, pelo seu contributo fundamental.

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Explicador: Como devo guardar a insulina?

Um incrível momento na história da medicina

 

Naquela altura, as crianças em coma devido à diabetes eram mantidas em grandes enfermarias, à espera do inevitável momento da morte. Conta-se que depois do sucesso com o primeiro tratamento, Banting, Best e Collip percorreram uma dessas alas. Administraram às crianças em coma o extrato purificado de insulina. Antes de alcançarem a última cama, os primeiros recetores já estavam a despertar.

 

A evolução do tratamento

 

Depois da sua descoberta e do sucesso dos primeiros tratamentos, não foi fácil alcançar a produção de insulina a uma escala comercial. A principal fonte desta hormona era o pâncreas de diversos animais. Em 1963, a insulina é a primeira proteína humana produzida em laboratório. Assim surge a insulina sintética.

 

No final dos anos 70, início dos anos 80, é possível produzir insulina sintética através da biotecnologia do DNA recombinante. A insulina é a primeira proteína humana a ser fabricada através da biotecnologia. Esta insulina sintética passa a ser chamada «insulina humana», distinguindo-a da insulina de origem animal, mais propensa a gerar reações alérgicas.

 

Ao longo dos anos 80, a insulina fica cada vez mais acessível. Surgem, entretanto, as «canetas de insulina» e a «bomba de insulina».

 

14 de novembro – Dia Mundial da Diabetes

 

O dia 14 de novembro foi eleito como Dia Mundial da Diabetes por marcar o aniversário de Frederick Banting, um dos investigadores responsáveis pela descoberta da insulina. Em 2021, cumprem-se 100 anos de história da insulina. Um dos avanços médicos mais importantes do séc. XX, que permitiu salvar e prolongar a vida a milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo. 

 

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Referências
  • Healthline

  • Quianzon CC & Cheikh I (2012)

  • Encyclopedia Britannica

  • Diabetes UK

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