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As complicações macrovasculares da diabetes

As complicações que afetam o sistema vascular podem dividir-se entre complicações microvasculares e macrovasculares. E é sobre estas últimas de que aqui falaremos mais demoradamente.

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Entre as complicações cardiovasculares da diabetes estão as chamadas complicações macrovasculares, uma causa importante de mortalidade e morbilidade nesta população. De facto, os dados do Programa Nacional para a Diabetes (2017) indicam uma tendência crescente do número de internamentos por acidente vascular cerebral (AVC) e por enfarte agudo do miocárdio nos últimos anos, embora com um decréscimo em 2016.

 

Continua-se, no entanto, a observar que a mortalidade por enfarte agudo do miocárdio em pessoas com diabetes é superior à observada na população sem a doença. Assim sendo, vale a pena compreender um pouco melhor o que são essas complicações macrovasculares.

Complicações macrovasculares vs. microvasculares

A diabetes pode provocar complicações crónicas que afetam vasos sanguíneos de menor calibre como, por exemplo, o pé diabético, a nefropatia ou a retinopatia diabética. É a estas complicações que chamamos de microvasculares. Por outro lado, a diabetes está também associada a complicações em vasos de maiores dimensões que podem resultar em enfarte, insuficiência cardíaca ou AVC. É a estas complicações nos grandes vasos a que chamamos de complicações macrovasculares.

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201.

A diabetes e o AVC (Acidente Vascular Cerebral)

O que causa complicações macrovasculares em pessoas com diabetes?

 

Embora os mecanismos concretos não sejam, ainda, inteiramente claros, sabe-se que a diabetes aumenta o risco cardiovascular e tem influência no desenvolvimento aterosclerose. Ou seja, pode ter influência na formação de placas (chamadas placas de ateroma) que estreitam as paredes das artérias. E, ao romper-se uma placa de ateroma, uma complicação cardiovascular tal como o AVC ou o enfarte do miocárdio poderá ocorrer.

 

Além disso, em doentes com diabetes tipo 2 parece, também, existir uma desregulação da hemostasia. Ou seja, dos processos que permitem o controlo de uma hemorragia, registando-se uma maior tendência para a formação de coágulos (hipercoagulabilidade).

 

Tipos de complicações macrovasculares

 

  • Doença arterial coronária

 

Trata-se de um conjunto de doenças que resultam do desenvolvimento de aterosclerose nos vasos que irrigam o coração (artérias coronárias). Existem, no entanto, placas de ateroma de 2 tipos: estáveis e mais fibrosas ou instáveis e mais ricas em lípidos. Estas últimas têm uma maior propensão para romperem, libertando substâncias que facilitam a formação de coágulos e que estimulam a constrição dos vasos. Neste caso há um aumento do risco de oclusão da artéria, de morte do tecido cardíaco e de ocorrer um enfarte agudo do miocárdio.

 

Por outro lado, uma oclusão transitória da artéria, com um compromisso do fluxo sanguíneo, pode causar desconforto e dor no peito por alguns minutos. A esta doença chama-se angina de peito. Estas crises podem ser despontadas, por exemplo, pela atividade física ou stresse.

 

A doença arterial coronária é também a causa mais comum de insuficiência cardíaca. Nesta doença, o coração deixa de ter a capacidade de bombear sangue suficiente para o corpo, não recebendo oxigénio suficiente.

 

  • Doença cerebrovascular (AVC e AIT)

 

O acidente vascular cerebral (AVC) e o acidente isquémico transitório (AIT) ocorrem quando há um uma interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro. Quando se trata de um AIT, o fluxo é restabelecido num período inferior a 24 horas e os sintomas resultantes são também reversíveis. Por outro lado, no AVC, a lesão cerebral é definitiva. A maioria dos casos de AVC devem-se ao bloqueio de um vaso no cérebro ou pescoço por um coágulo sanguíneo.

 

  • Doença arterial periférica

 

Deve-se ao estreitamento das artérias periféricas, afetando mais frequentemente as artérias da pélvis e membros inferiores. Muitas pessoas podem ter nenhuns ou muito poucos sintomas, enquanto outras podem sentir dor nas pernas ao caminhar, subir escadas ou ao fazer exercício, que desaparece geralmente em descanso.

Reduzir o risco de complicações macrovasculares

 

  • Monitorize os níveis de colesterol LDL. Deverá perguntar aos profissionais de saúde que o acompanham quais os valores mais recomendados para a si;

 

  • Controle a pressão arterial que deverá ter valores até 140/90 mmHg. Contudo, este valor deverá ser adequado às características individuais de cada doente pela equipa de saúde assistente;

 

  • Não fume. A cessação de hábitos tabágicos poderá trazer várias vantagens. Para além de reduzir o risco de complicação micro e macrovasculares, melhora os níveis de glicemia, de pressão arterial e de colesterol, bem como a circulação sanguínea e a resistência ao exercício físico;

 

  • Desenvolva ou mantenha hábitos de vida saudável, como seguir uma dieta saudável, praticar exercício físico, manter um peso saudável e dormir um número de horas suficientes;

 

  • Aprenda a gerir o stresse

 

Fontes

Referências

  • Fowler MJ (2008)
  • DireçãoGeral da Saúde (DGS)
  • Organização Mundial da Saúde (OMS)
  • Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC)
  • American Diabetes Association (ADA)
  • American Heart Association (AHA)
  • National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases
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