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Cicatrização: porque é mais difícil na diabetes?

As feridas e outras lesões podem ser um problema grave para os doentes diabéticos, que tendem a cicatrizá-las de forma menos eficaz. Mas porque é que isto acontece? É o que o nosso artigo pretende escrutinar.

A cicatrização de feridas no corpo humano é um processo complexo que tem que passar por 4 fases de forma precisa e altamente programada. Para uma ferida curar com sucesso, as 4 fases devem ocorrer numa sequência ordenada e no tempo adequado.

 

Muitos fatores podem interferir com uma ou mais fases do processo, levando a uma cicatrização inadequada ou deficiente. Entre esses fatores está a diabetes e a dificuldade de cicatrizar que os doentes demonstram. Como resultado, e em contraste com o que acontece normalmente, os doentes diabéticos têm feridas que inflamam de forma mais prolongada, levando a complicações sérias.

A cicatrização em 4 fases

O processo de cicatrização de feridas consiste em quatro fases altamente integradas e que se sobrepõem. Têm todas nomes técnicos, pelo que vamos tentar explicá-las de forma simples:

 

1. Hemostase

 

Ocorre nos minutos seguintes a uma lesão e inicia-se com sangue a acorrer à zona lesionada, o que leva ao preenchimento da lesão com várias substâncias, principalmente plaquetas (um dos componentes do sangue). Forma-se aí um tampão (composto de uma substância chamada fibrina, que forma uma barreira contra a invasão de microrganismos, e permite que as restantes fases ocorram com sucesso.

 

2. Inflamação

 

Há recrutamento de outras células para a zona da ferida. Estas células são alguns tipos de glóbulos brancosdo sangue, chamados neutrófilos e macrófagos, que eliminam as bactérias, os fragmentos celulares que não interessam e os corpos estranhos que aí se alojaram. Além disso, nesta fase, são destruídas as estruturas que mantinham essa zona da ferida antes da lesão, para que na fase posterior possam ser produzidas novas ligações.

 

3. Proliferação

 

Produzem-se as tais novas ligações e estruturas a partir das outras destruídas, nomeadamente com a produção de colagénio, pela ação de células chamadas fibroblastos, e pela formação de novos vasos sanguíneos, um fenómeno chamado angiogénese.

 

4. Remodelação do tecido

 

A última fase da cicatrização, onde ocorre o desaparecimento de todos os elementos celulares que acorreram à zona.

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O risco de infeções e a diabetes

Há muitos fatores que podem afetar a cicatrização de feridas, que interferem com uma ou mais fases neste processo, causando, assim, uma reparação inadequada da zona afetada. As feridas com dificuldade em cicatrizar geralmente entram num estado de inflamação devido a um processo de cicatrização prolongado, incompleto ou descoordenado.

 

A maioria das feridas crónicas, ou seja, que existem durante muito tempo, são úlceras. Muitas delas associadas à diabetes!

A diabetes e a cicatrização

Está bem documentado que os doentes diabéticos não conseguem cicatriz de forma correta e curar feridas de forma normal. Além disso, esta população está propensa a desenvolver úlceras crónicas do pé diabético, que são estimadas ocorrer em 15 % das pessoas com diabetes. São uma complicação grave da diabetes e precedem 84% das amputações em diabéticos. Mas porque é que isto acontece?

 

Nos doentes diabéticos, existe a ocorrência de um fenómeno chamado hipoxia. Isto é, o oxigénio não consegue atingir de forma tão eficaz certas zonas do corpo. A hipoxia contribui para a deficiente cicatrização e faz com que a angiogénese (que, lembramos, é a produção de novos vasos sanguíneos) seja mais reduzida.

 

Depois, o facto da inflamação, que decorre das feridas cicatrizarem mais devagar, durar mais tempo, faz com que sejam produzidas umas substâncias chamadas metaloproteases. Estas substâncias ajudam a degradar o «esqueleto» que liga as células umas às outras. Ou seja, dificultam a sua reparação.

 

Em 3.º lugar, o facto de ser comum na diabetes que o organismo esteja sujeito durante mais tempo a quantidades elevadas de açúcar no sangue (hiperglicemia) aumenta um processo chamado stresse oxidativo. E isto faz com que a cicatrização seja mais difícil porque faz que chegam à zona das lesões substâncias que destroem ainda mais essa zona.

 

Por fim, a neuropatia periférica – lesões no sistema nervoso periférico a que os doentes diabéticos estão mais sujeitos – e a maior suscetibilidade dos doentes diabéticos às infeções, também contribuem para esta incapacidade de cicatrizar corretamente.

Prevenção de cortes e feridas

Por tudo isto, os doentes diabéticos devem adotar estratégias para diminuir o tempo que demora uma ferida a cicatrizar. Assim sendo, estas estratégias podem dividir-se em 3 partes que, se seguidas rigorosamente, vão evitar consequências mais graves:

 

  • Cuidados com os pés, um dos órgãos mais passíveis de criar feridas que provocam úlceras, evitando assim o chamado pé diabético, são essenciais. A preocupação com o calçado adequado também deve estar sempre na ordem do dia.

 

  • Tratamento correto de feridas e lesões, que já sabe se vão manter abertas durante mais tempo. Assim sendo, desinfetar a ferida, cobri-la com pensos e repetir isso diariamente é obrigatório. Procurar ajuda médica rapidamente, sobretudo, se verificar que a ferida infeta, é também altamente recomendado.

 

  • Um bom controlo da glicemia é também meio caminho andado para facilitar a cicatrização de feridas e evitar complicações de maior.
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Pé diabético: uma complicação comum da diabetes

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Fontes

Referências

  • Revista Portuguesa de Diabetes
  • Medical News Today
  • Journal of Aging and Innovation
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