artigo
imprimir

Diabetes e osteoporose: o que deve saber

A osteoporose é uma doença dos ossos. O que o pode levar a perguntar: mas que tem isso, então, que ver com a diabetes? A resposta é: tudo! A razão desse facto é o que este artigo tenta explicar.

Patrocinado por

A osteoporose é uma doença do esqueleto. Caracteriza-se por uma diminuição da chamada densidade mineral óssea (DMO). Isto é, em termos simples, da quantidade de mineral que o osso tem. Claro que o facto conduz a um aumento da fragilidade óssea. Consequentemente, isso leva a um risco elevado de fratura.

 

Mas será que a diabetes tem relação com a osteoporose? E o oposto, também acontece? Ou seja, se tiver osteoporose, será um doente de risco por ter diabetes?

Porquê a diabetes?

A diabetes é uma doença caracterizada pela hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue) induzida pela falta ou ineficácia da insulina. A insulina regula a quantidade desse mesmo açúcar no sangue. Para além das complicações normalmente abordadas e mais comuns como, por exemplo, danos nos olhos, rins, coração e vasos sanguíneos, a diabetes tem implicações na saúde do osso. Ou seja, poderá existir uma relação entre diabetes e osteoporose. Assim sendo é preciso olhar com mais atenção para os diferentes tipos de diabetes para chegar a alguma conclusão.

Porquê a osteoporose? Principais sintomas! 

A osteoporose, por sua vez, é frequentemente chamada de «ameaça oculta». É uma doença cujo primeiro sinal ou sintoma é o da fratura que ocorre no decurso de um traumatismo mínimo (ou mesmo na ausência do mesmo). Pode ocorrer sem que o doente se aperceba, ao longo de muitos anos.

 

As fraturas mais comuns na osteoporose são as das vértebras, do colo do fémur (anca) e do antebraço (punho). No conjunto, estas fraturas têm consequências como dor e perda de qualidade de vida. Outras consequências e sintomas poderão ser:

 

  • Dor prolongada no tempo.
  • Dificuldade em manter-se de pé (e até necessidade de recorrer a auxiliares de marcha).
  • Diminuição da estatura e curvatura das costas.
  • Degradação do estado geral.
  • Redução da autonomia ou mesmo dependência de terceiros, em casos mais graves.

A diabetes tipo 1 entra em cena

Apesar de não se conhecerem ainda os mecanismos por detrás disso, sabe-se que a diabetes tipo 1 está relacionada com ossos de menor densidade. Pensa-se que a diabetes tipo 1, ao ser uma doença típica da infância e ocorrer quando os ossos se estão a formar, possa interferir nesse processo, originando ossos mais «frágeis». Além disso, uma baixa densidade óssea significa risco acrescido de osteoporose. Ambas as situações representam perdas de massa óssea, sendo a primeira uma fase mais inicial e a última mais grave.

 

Por outro lado, a relação entre diabetes tipo 2 e a osteoporose não é tão conhecida. Sabemos, contudo, que existem diversas situações relacionadas com este tipo de diabetes que podem aumentar o risco de fratura e ser, assim, problemáticas para quem tem ambas as doenças.

Como se diagnostica a osteoporose

Como qualquer doença, a osteoporose só pode ser diagnosticada por um médico. Há um aparelho específico que ajuda a medir a DMO, chamado de densitómetro ósseo, ou mais vulgarmente DEXA scan. Os resultados obtidos podem, em linhas gerais, mostrar 3 tipos diferentes de densidade mineral óssea. 1) Normal. 2) Osteopenia (quando há perda gradual de massa óssea, não havendo por isso um risco de fratura tão acentuado, como na osteoporose). 3) Osteoporose (a consequência final) – isto por ordem de gravidade.

 

Do mesmo modo, as mulheres em pós-menopausa apresentam um risco acrescido de ter osteoporose.

artigo

276.

Diabetes e osteoporose: está em risco?

Osteoporose: estou em risco por ter diabetes?

O principal risco da osteoporose são as fraturas. A diabetes mal controlada pode significar um risco acrescido de quedas. Dessa forma, na osteoporose, isso leva a um aumento do risco de fratura.

 

Como resultado, os doentes diabéticos podem cair mais vezes. Em seguida, os principais motivos:

 

1. Hipoglicemias 

 

A hipoglicemia está associada a sintomas como náuseas, visão turva e tonturas, com potencial perda de equilíbrio. O risco de queda está presente. Ou seja, ao mínimo sintoma, é importante que se sente e verifique os níveis de açúcar no sangue. Caso esteja perante uma hipoglicemia, deve corrigi-la com a toma de açúcar.

 

2. Problemas de visão

 

A diabetes mal controlada, isto é, com mau controlo glicémico (açúcar permanentemente alto), está associada a complicações nos olhos. A doença ocular diabética pode levar a perda de visão o que, todavia, pode levar a dificuldades no equilíbrio – e a quedas.

 

3. Neuropatia

 

A neuropatia consiste em danos nas fibras nervosas (os nossos nervos). A neuropatia diabética, uma das complicações mais comuns da diabetes, leva muitas vezes a perda de sensibilidade nas extremidades do corpo. Principalmente nas pernas e nos pés. Essa perda de sensibilidade pode afetar a marcha. Consequentemente, torna a pessoa mais suscetível a quedas.

Cuidados a ter em caso de diabetes e osteoporose

Na presença de diabetes e osteoporose é muito importante minimizar o risco de queda e de fratura. Quando se é diabético, as estratégias de prevenção passam por diminuir a probabilidade de ocorrer alguma das situações listadas acima. Além disso, os cuidados a ter, principalmente em pessoas com diabetes, são:

 

  • Alimentação

 

nutrição tem um papel fundamental, quer na osteoporose, quer na diabetes. Para manter os ossos fortes e saudáveis devemos ingerir alimentos ricos em cálcio. Fontes importantes de cálcio incluem, por exemplo, os laticínios e os vegetais. Uma dieta pobre em hidratos de carbono e gorduras é também essencial para manter um bom controlo glicémico. E, desta forma, evitar as complicações da doença.

 

  • Exposição solar responsável

 

O sol é a nossa principal fonte de vitamina D. Esta vitamina possui um papel importante no metabolismo do cálcio e na saúde óssea. Deve apanhar sol todos os dias. Para obter a dose de vitamina D necessária, basta uma exposição de 10 a 20 minutos na palma da mão, por exemplo. Apesar do protetor solar interferir na síntese de vitamina D, deve evitar exposições prolongadas sem o uso do mesmo, de maneira a prevenir insolações.

 

  • Exercício físico

 

Atividade física como caminhadas, subir escadas e dançar são ótimos exemplos que contribuem para ossos saudáveis. Para além disso, o exercício é uma forma de combate à obesidade, com benefícios no controlo da diabetes. Garanta que faz exercícios físicos de baixo risco, isto é, prevenindo o esforço e eventuais fraturas.

 

  • Cessação tabágica

 

O tabaco tem inúmeras desvantagens. É um fator de risco para doenças cardiovasculares e não contribui para o controlo da diabetes. É também um risco para a perda de densidade óssea. Em síntese, deixar de fumar é um passo fundamental na saúde dos seus ossos e no controlo da diabetes!

 

  • Consultas médicas

 

Os exames de diagnóstico são normalmente pedidos após os 65 anos de idade ou mais cedo, se se justificar. Dessa forma, o tratamento pode ser iniciado, de maneira a tornar os ossos mais fortes e resistentes. A diabetes também é uma doença que justifica idas regulares ao médico. Através de análises laboratoriais é possível averiguar se está bem controlada ou não.

Tratar a osteoporose na diabetes

Os doentes diabéticos serão tratados para a osteoporose como os restantes doentes:

 

  • Como já vimos, a vitamina D e o cálcio são de extrema importância. Por isso, o médico poderá recomendar fazer alguma suplementação para colmatar essas necessidades.

 

  • medicamentos no mercado que vão ajudar os doentes a manter uma vida normal quando diagnosticados com a doença. Em conclusão, o médico indicará a medicação adequada em cada um dos casos.

 

Tal como a diabetes, a osteoporose não tem cura. Mas é uma doença prevenível e tratável. Também como na diabetes, as mulheres pós-menopáusicas estão em maior risco. A partir de uma certa idade está recomendada a realização de densitometria óssea. Em suma, caso receba o diagnóstico de osteoporose, existem tratamentos disponíveis para prevenir a perda de massa óssea e a ocorrência de fraturas.

Referências
  • Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR)

  • Instituto Português de Reumatologia (IPR)

  • Diabetes UK

  • Chau D, et al., 2003.

artigo
imprimir
anterior seguinte