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O que o empregador deve saber sobre diabetes

É perfeitamente possível manter a diabetes sob controlo. Por isso, as pessoas com diabetes podem fazer tudo aquilo que quiserem. Desporto, ócio, trabalho… Não existem atividades vedadas. Mas é claro que existem necessidades especiais. É importante que os colegas e o empregador conheçam a doença e estejam alerta para ajudar e facilitar a vida da pessoa com diabetes.

Antes de mais, devemos ter consciência de que a diabetes não tem por que ter impacto nas capacidades do trabalhador. Por isso, desde que a pessoa tenha as qualificações necessárias para o posto a que se candidata, ter diabetes não pode ser um impedimento à sua contratação.

 

Infelizmente, a sociedade ainda discrimina muitos grupos de pessoas, principalmente por desinformação e desconhecimento. É importante saber que os portadores de uma doença crónica – como a diabetes – estão protegidos pela lei n.º 7/2009 do Código de Trabalho. Podem por isso estar sujeitos a regras distintas dos restantes colaboradores se as condições assim o exigirem. O que não significa um impacto negativo na sua produtividade.

O empregador e a discriminação

Combater a discriminação dos trabalhadores com diabetes passa pela formação da sociedade sobre os direitos e deveres de empregadores e trabalhadores. Por um lado, todo o empregador deverá procurar educar-se sobre o tema. Deste modo conseguirá construir um local de trabalho saudável e inclusivo. Por outro lado, a pessoa com diabetes deverá estar consciente dos seus direitos e contribuir para a educação dos demais. Explicar, sem tabus, as suas necessidades é a melhor forma de que estas sejam atendidas.

 

A verdade é que em pleno 2021, a discriminação laboral ainda é uma realidade para as pessoas com diabetes. Os empregadores receiam principalmente que seja alguém que:

 

  • falte muito pela necessidade de ir periodicamente ao médico;
  • precise de um maior número de pausas durante o horário de trabalho;
  • tenha um rendimento menor devido aos pontos anteriores e a eventuais efeitos da doença.

 

No entanto, numa pessoa com a diabetes bem controlada, não há motivos para que o resultado do seu trabalho seja inferior ou prejudicial à empresa. Aliás, os meios de monitorização e tratamento atuais, como os sensores contínuos de glicemia com alarme e as bombas de insulina permitem um controlo rigoroso da diabetes. Isto abre, inclusivamente, outras possibilidades de acesso a empregos que normalmente são dificultados às pessoas com a doença.

 

Além disso, em muitos trabalhos, já se verificou que a flexibilidade de horários melhora a produtividade. Não é por um trabalhador fazer mais pausas para comer que isso terá de comprometer o seu trabalho.

 

Transparência e confiança

 

O trabalhador tem direito à reserva da intimidade da sua vida privada. Ou seja, um empregador deverá ter noção de que nenhum trabalhador tem a obrigação nem o dever de lhe comunicar a doença. A não ser que esta seja um aspeto relevante para a prestação da atividade. No entanto, ao gerar um ambiente de trabalho baseado na transparência e confiança mútuas, é provável que o trabalhador se sinta à vontade para esta partilha sem medo de represálias. E isto será benéfico para todos.

Necessidades da pessoa com diabetes

A diabetes já não é uma doença incapacitante. Com uma monitorização e tratamento corretos, o doente pode fazer perfeitamente o seu trabalho. Por isso, o empregador deverá ter em atenção que a pessoa com diabetes:

 

  • terá de tomar medicação conforme indicado pelo médico. Isto pode implicar a auto injeção de insulina;
  • precisa de comer regularmente para manter os níveis de glicemia e não por capricho;
  • poderá precisar de medir os níveis de glicemia com um aparelho próprio (glucómetro). Para tal é preciso picar o dedo e recolher uma gota de sangue com uma tira especial.

 

Estes procedimentos são naturais para quem tem diabetes. Como empregador, é importante ter consciência do que implicam. Deste modo diminuirá o desconforto do doente em ter de «se picar» à frente dos colegas ou escondido na casa de banho. Se possível, crie um espaço no escritório que a pessoa possa utilizar confortável e higienicamente.

 

Gerar um bom ambiente de trabalho

 

Um empregador que consiga gerar um bom ambiente de trabalho para todos – e não apenas para as pessoas com diabetes – fará com que os colaboradores se sintam mais satisfeitos. É por isso bem provável que o rendimento geral da empresa melhore. Fazer alguns ajustes no local de trabalho não tem que implicar um investimento financeiro. Mas acredite que estará a fazer um investimento na saúde, motivação e respeito dos trabalhadores.

 

No entanto, para lá dos direitos e deveres dos trabalhadores em geral, a pessoa com diabetes tem direitos específicos que ajudam a gerir melhor a doença no trabalho. Um empregador deverá estar consciente destes direitos e assegurar que são respeitados.

 

Alguns direitos do trabalhador com diabetes

 

  • Fazer uma pausa para comer de 2 em 2 horas – ou nos intervalos de tempo indicados pelo médico;
  • Dispor de um espaço e de tempo para administração de insulina, se for esse o caso;
  • Ter flexibilidade para ir às consultas de acompanhamento. Estas são fundamentais para controlar a doença e prevenir complicações;
  • Recusar realizar trabalho suplementar e turnos durante a noite.

 

Além destes direitos «especiais», o trabalhador com diabetes tem todos os mesmos direitos que os outros trabalhadores, e também os mesmos deveres. Por outro lado, é importante que o trabalhador confie no empregador ou em algum colega para saber atuar em caso de hipoglicemia ou informar as equipas de saúde, se for caso disso. No entanto, as pessoas com a diabetes bem controlada conhecem os seus padrões e sintomas. Ou seja, é normal que detetem uma hipoglicemia muito no início, conseguindo atuar rapidamente para a corrigir. O impacto na realização do trabalho acaba por ser mínimo.

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Hipoglicemia: sintomas que deve conhecer

Promover a saúde física e mental

 

Se costuma ter snacks à disposição dos colaboradores, assegure-se de optar por fruta fresca, iogurtes e cereais integrais, em vez de chocolates, bolachas e bolos. Promova a atividade física através de horários flexíveis que permitam que as pessoas tenham tempo para cuidar de si. Ou até disponibilizando aulas de fitness nas instalações da empresa, em horários acessíveis. Realize atividades de team building ao ar livre. Pense em realizar formações sobre diabetes no local de trabalho, ou inscreva os colaboradores numa formação especializada. Através da formação de todos, conseguiremos erradicar os estigmas.

 

Hoje em dia, nada justifica a discriminação laboral por causa da diabetes. O empregador deverá mostrar-se compreensivo e disposto a aprender tudo o que for possível para ajudar o colaborador. Deverá também criar condições e um ambiente de trabalho colaborativo e flexível, evitando a eventual discriminação por parte dos colegas. Esta relação baseada na confiança e transparência vai contribuir para que a pessoa com diabetes consiga gerir muito melhor a doença. Também a deixará mais à vontade para falar abertamente sobre as suas necessidades e ajudar na adaptação de todos. O bom controlo da diabetes, a diminuição dos níveis de stresse e o sentimento de apoio vão levar a um trabalhador muito mais motivado e com um reduzido (ou nenhum) número de episódios que possam interferir com o dia a dia do trabalho. Bom senso, escuta ativa e empatia são fundamentais na gestão da relação entre empregador e colaborador com diabetes. Com esta consciência, não haverá nada a temer.

 

Por fim, junte-se à comunidade Diabetes 365º!

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