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Os tipos de diabetes menos conhecidos

Além da diabetes tipo 1 e da tipo 2 há outros tipos da doença. Descubra os tipos de diabetes menos conhecidos.

Quando falamos em diabetes, referimo-nos geralmente aos dois tipos mais comuns e à diabetes gestacional. Mas há igualmente outros tipos de diabetes que têm variações nas causas e na sua progressão enquanto doença. É importante conhecê-los e saber distingui-los. Isto porque cada tipo requer um acompanhamento médico e tratamento específicos.

O que é a diabetes tipo LADA

LADA é a sigla inglesa para Latent Autoimmune Diabetes in Adults (Diabetes Autoimune Latente em Adultos, numa tradução livre). Tal como a diabetes do tipo 1, a LADA é um dos tipos de diabetes que também envolve a destruição das células beta do pâncreas, que produzem a insulina, devido a uma reação autoimune. Mas a diabetes do tipo 1 é um processo súbito que acontece aquando a infância e a adolescência, e mais raramente nos primeiros anos de vida adulta. Já na LADA, o processo autoimune demora alguns anos nos adultos e, por isso, pode ser confundida com a diabetes tipo 2.

 

Um estudo feito no Reino Unido demonstrou que este tipo de diabetes é responsável por 6 a 10% dos casos para todas as idades, e por 35% dos casos com menos de 35 anos, segundo o site Diabetes UK.

 

Sintomas e diagnóstico da LADA

Os primeiros sintomas da LADA passam pelo cansaço geral ou após as refeições, sensação nebulosa na cabeça e sentir fome após comer. Ao longo do tempo, a capacidade de produção de insulina de uma pessoa com LADA vai decrescendo. Surgem então sintomas mais agudos como a dificuldade em saciar a sede, necessidade frequente de urinar, visão desfocada e formigueiros.

 

O diagnóstico deste tipo de diabetes requer um teste para avaliar a presença de certos anticorpos pancreáticos. Quando a doença é detetada no início, o organismo ainda produz insulina e os doentes não precisam de injeções diárias da hormona. No entanto, na maioria dos casos, as células beta deixam de funcionar em 5 anos. Isto significa que mais cedo ou mais tarde será necessário iniciar a administração da insulina (insulinoterapia), tal como na diabetes do tipo 1.

 

É importante identificar os sintomas num estado inicial e distinguir a LADA da diabetes tipo 2. Porquê? Porque a diabetes tipo 2 é normalmente tratada com fármacos que estimulam as células beta a produzir mais insulina ou melhoram a capacidade dos tecidos responderem à hormona. No entanto, nenhuma destas estratégias de tratamento é eficaz para a LADA. Os tratamentos da diabetes tipo 2 aplicados à LADA podem atrasar o tratamento correto. Isto vai dar tempo para a diabetes levar ao desenvolvimento de complicações.

 

Há sinais de alerta para a LADA que a distinguem da diabetes do tipo 2:

 

  • Não existência de excesso de peso.
  • Sem hipertensão arterial ou níveis elevados de colesterol.
  • Fármacos para controlar a glicose que não funcionam.

Diabetes tipo MODY: o que a caracteriza

A diabetes MODY é uma doença genética. MODY são as siglas para Maturity-Onset Diabetes of the Young, uma doença que surge normalmente em jovens com menos de 25 anos. É a causa de diabetes em 2% da população com diabetes, segundo a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD). A origem deste tipo de diabetes está na mutação de um único gene. Se um dos pais tiver a mutação, há 50% de probabilidades de a passar para um filho. Por isso, se a doença é identificada numa pessoa poderá significar que membros da família também têm diabetes MODY. O diagnóstico é feito com recurso a um teste genético.

 

Conhecem-se seis variantes da MODY: foram identificadas mutações em seis genes diferentes que originam este tipo de diabetes. A mais recorrente é a MODY do tipo 1, quando há uma mutação no gene HNF1-alfa, responsável por 70% dos casos deste tipo de diabetes, segundo a Diabetes UK. Neste caso, esta mutação faz baixar a quantidade de insulina produzida pelas células beta. O tratamento não passa pela insulinoterapia, mas sim pela administração de um grupo de fármacos chamado sulfonilureias, que estimulam a produção de insulina nas células beta e que são muito usados na diabetes do tipo 2.

 

Algumas das outras variantes são conhecidas em pouquíssimas famílias. Assim, é importante diagnosticar este tipo específico de diabetes para aplicar o tratamento mais correto, compreender se há outras pessoas na família com o mesmo problema sem saber e ajudar a avaliar o risco de ter um descendente com MODY.

 

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04.

Quem tem mais diabetes: homens ou mulheres?

Fatores de risco para a diabetes instável

A diabetes instável é um termo usado para descrever um dos tipos de diabetes em que é difícil controlar a doença. Caracteriza-se por grandes variações na concentração de glicose no sangue. Isto é, neste tipo de diabetes há saltos de uma alta concentração de glicose, hiperglicemia, para uma baixa concentração, hipoglicemia. Os episódios são difíceis de prever, podendo obrigar a hospitalizações frequentes e prolongadas, ou ser fatais.

 

Apesar de rara, a diabetes instável é mais frequente em diabéticos tipo 1 do que no tipo 2. Afeta pessoas de todas as idades e géneros, embora alguns estudos apontem para uma prevalência superior nas mulheres. Há alguns fatores que podem contribuir para a diabetes instável:

 

  • Stresse.
  • Distúrbios de alimentação.
  • Consumo de bebidas alcoólicas ou de drogas.
  • Doença celíaca.
  • Outros problemas ligadas à capacidade de absorção dos alimentos durante a digestão.

 

A monitorização cuidada da glicemia e o controlo da medicação para a diabetes, quer sejam fármacos ou insulina, podem ajudar no controlo.

Diabetes induzida por esteroides

Entre as classes de medicamentos que podem provocar diabetes, uma das mais importantes é a dos esteroides. Importantes para o combate de inflamações, os medicamentos esteroides são usados em situações de inflamação exacerbada. São igualmente usados em doenças autoimunes que provocam uma inflamação crónica, como a asma, o lúpus, a artrite reumatoide, ou a doença de Crohn.

 

Os esteroides, quando tomados oralmente em comprimidos, aumentam a resistência à insulina do organismo e podem provocar um aumento da concentração de glicose no sangue, a hiperglicemia. Por isso, as pessoas que têm um risco elevado de desenvolver diabetes tipo 2 ou que necessitam de tomar esteroides por um longo período de tempo estão especialmente em risco de desenvolverem diabetes.

 

Neste caso, os sintomas que sinalizam a diabetes, que surgem especialmente quando as concentrações de glicose sobem, são a boca seca, a visão desfocada, um aumento da sede e da necessidade de urinar, cansaço e letargia.

 

O tratamento para a diabetes depende da gravidade da situação: o grau da resistência de insulina e a concentração de glicose no sangue. Em casos menos graves, o controlo da diabetes poderá ser feito apenas com uma dieta específica e atividade física. Noutros casos poderá ser necessário o tratamento com antidiabéticos orais ou mesmo com insulina.

 

As concentrações elevadas de glicose podem descer ao deixar de tomar os esteróides. No entanto, algumas pessoas podem desenvolver diabetes tipo 2.

 

Diabetes insipidus: um dos tipos menos comuns

Entre os tipos menos comuns de diabetes, a diabetes insipidus é diferente. Não passa pelo aumento da concentração de glicose no sangue, mas tem sintomas em comum. A diabetes insipidus afeta 1 em cada 25 000 pessoas e pode surgir em qualquer idade, apesar de ser mais comum nos adultos. Causada normalmente por um problema hormonal, este tipo de diabetes faz com que as pessoas sintam uma sede intensa e urinem com muita frequência. Em casos graves a pessoa pode chegar a urinar 20 litros de água por dia.

 

A diabetes insipidus está ligada à hormona vasopressina, fundamental para ajudar o corpo a controlar a quantidade de água que é perdida na produção de urina pelos rins. Quando o corpo produz pouco esta hormona ou quando os rins não respondem mais ao seu efeito, surge este tipo de diabetes.

 

Em ambos os casos, os rins deixam de controlar a quantidade de água que é filtrada do sangue, isto é, as pessoas passam a perder muita água na urina, arriscando-se a ficarem desidratadas. Nos casos leves, recomenda-se apenas que se beba mais água. Se forem casos graves, a resposta passa por fármacos que ajudam a controlar a perda de água.

 

Fontes

Referências

  • National Center for Advancing Translational Sciences Genetic and Rare Diseases Information Center (NIH/GARD)
  • Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD)
  • National Health System (NHS)
  • Diabetes UK
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