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Posso beber cerveja sem álcool na diabetes?

Beber bebidas alcoólicas na diabetes pode ser um problema. Mas e se for cerveja sem álcool… não deve haver grande problema, certo? Pois que não é bem assim. Vamos ver porquê.

Será que posso beber cerveja sem álcool na diabetes? Esta é uma pergunta bastante comum com uma resposta não muito simples. Mas antes disso, talvez valha a pena lembrar como é que o álcool afeta o organismo e porque é que doentes com diabetes devem estar mais conscientes desse mecanismo do que a restante população.

Como é que o álcool afeta a diabetes?

Quer tenha diabetes tipo 1 ou 2, ou mesmo pré-diabetes, uma pergunta comum que pode fazer é se pode ou não consumir bebidas alcoólicas. O álcool pode afetar os seus níveis de glicemia (quantidade de açúcar no sangue) e a sensibilidade do seu organismo à insulina, a hormona de que dependemos para utilizar a glicose que ingerimos.

 

Ainda que pareça estranho, o risco imediato do consumo de álcool é a hipoglicemia grave. Ou seja, uma redução acentuada da quantidade de açúcar no sangue.

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Porque o consumo de álcool provoca hipoglicemia

Isto pode acontecer, por exemplo, por 3 motivos:

 

  • O álcool interfere com alguns medicamentos, fazendo com que estes não atuem tão bem;

 

  • Faz com que o fígado tenha de se preocupar com ele, ou seja, passa a realizar outra das suas principais funções, a libertação de glicose na corrente sanguínea;

 

  • Na diabetes tipo 2, como o álcool é bastante calórico, 1 a 3 horas depois da sua ingestão, o corpo vai responder à quantidade de açúcar em excesso, produzindo insulina em demasia. A consequência? Diminuição da glicose presente na corrente sanguínea.

Por isso é preferível consumir cerveja sem álcool na diabetes?

Não é bem assim! Em primeiro lugar, aqui jogamos com outro problema: a quantidade de açúcar e de calorias que esses tipos de bebidas costumam ter.

 

Segundo as recomendações da Diabetes Canada 2018, uma cerveja sem álcool pode ter uma quantidade de hidratos de carbono (açúcares) consideravelmente maior do que uma cerveja com álcool. Como sabe, uma das principais preocupações dos doentes diabéticos é o excesso de peso. Bebidas que além de aumentarem a quantidade de açúcar ingerido, contribuem para um aumento da massa gorda, devem ser encaradas com cuidado por qualquer doente.

 

Dito isto, compare sempre os rótulos dos produtos que compra. Entre uma cerveja light com álcool (com menor concentração de hidratos de carbono) e uma cerveja sem álcool, mas com mais açúcar, é uma decisão que deve tomar em conformidade. Peça ajuda ao médico ou nutricionista para que possa decidir de acordo com o seu perfil (peso, sexo, medicação que está a tomar, gravidade da doença, etc.).

 

Lembre-se sempre que a quantidade de álcool que ingerimos diariamente deve ser limitada. E isto é algo que vale para toda a gente! No entanto, no caso do doente diabético, o não consumo de álcool é, na maior parte das vezes, a decisão mais acertada.

Um estudo com bastante interesse

 

Curiosamente, uma equipa de investigadores liderada pela investigadora e especialista em Nutrição e Metabolismo do CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, Conceição Calhau, estava em 2018 à procura de voluntários para participar num estudo clínico. Este pretende avaliar o efeito do consumo de cerveja sem álcool no perfil metabólico e no microbiota intestinal (bactérias intestinais) em pessoas com diabetes.

 

«As pessoas com diabetes mellitus tipo 2 apresentam um conjunto de bactérias intestinais diferente da população saudável», afirma Conceição Calhau, explicando que «a cerveja é uma bebida fermentada, à base de cereais, rica em compostos que poderão exercer um efeito benéfico nas bactérias intestinais, e assim, ter um impacto positivo na saúde».

 

Porém, «a evidência científica sobre os efeitos do consumo de cerveja no metabolismo e na microbiota intestinal é escassa, mais ainda no contexto da diabetes». É para dar resposta a esta questão que a equipa de investigação do CINTESIS tem trabalhado.

 

O futuro dirá que resultados daqui advêm e, nessa altura, este artigo poderá tornar-se obsoleto. Em ciência, e ainda bem, é mesmo assim.

Referências
  • Leal LC & Carvalho E (2014).

  • Diabetes Québec

  • Cintesis

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