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Quem tem diabetes pode fazer tatuagens?

As tatuagens são uma forma de arte corporal apreciada por muitos. No entanto, como qualquer procedimento «invasivo», têm alguns riscos associados. Nomeadamente o de infeção. Sendo assim, será que as pessoas com diabetes podem fazer tatuagens? Leia o artigo e descubra a resposta.

Agulhas, tintas, uma forma de arte sob a pele. As tatuagens existem há milénios. Atualmente, estão amplamente difundidas. Mas a sua execução não é isenta de riscos para ninguém. Principalmente para quem tem diabetes! É claro que as pessoas com diabetes podem fazer tatuagens. Mas atenção! Há que ter alguns aspetos em consideração para evitar as complicações diretamente associadas à doença.

Tatuagens e diabetes: o porquê do risco

O processo de uma tatuagem é relativamente simples. Consiste numa máquina com uma pequena agulha que penetra na pele, injetando a tinta que irá formar o desenho. Ou seja, ao fazer uma tatuagem, estamos a «quebrar» a barreira da pele. Esta quebra é uma porta de entrada para microrganismos, que podem causar infeções. Por este motivo, depois de fazermos uma tatuagem é importantíssimo manter a sua higiene. Devemos cuidá-la quase como se de uma ferida se tratasse. Só assim conseguiremos uma boa cicatrização.

 

Diabetes e a cicatrização

 

Ora, o processo de cicatrização é precisamente uma das coisas comprometidas pela diabetes. Os elevados níveis de açúcar no sangue (hiperglicemia) dificultam a cicatrização de qualquer ferida. Assim, o risco de infeção para quem tem diabetes aumenta significativamente.

 

Por este motivo, antes de fazer qualquer tatuagem, é imperativo que os níveis de açúcar no sangue estejam devidamente controlados. Um bom indicador é a hemoglobina glicada (HbA1c). Esta, é muito útil na avaliação da glicemia por períodos prolongados. Assim, é uma boa ideia consultar o seu médico e pedir esta análise sanguínea, para se assegurar de que tem a sua diabetes bem controlada. Normalmente, considera-se:

 

HbA1c < 8%

Quando as últimas análises mostram uma hemoglobina glicada inferior a 8% e não existindo:

 

 

Fazer tatuagens é relativamente seguro. Mantenha a sua limpeza e os níveis de açúcar em valores recomendados. Deste modo, o processo de cicatrização não deverá ter complicações.

 

HbA1c > 9%

Mas se a sua hemoglobina glicada for superior a 9% e se tiver identificada:

 

  • neuropatia;
  • problemas de circulação;
  • danos renais;

 

Fazer uma tatuagem pode não ser uma boa ideia. As dificuldades na cicatrização aumentam exponencialmente a probabilidade de infeção. Isto pode, em casos extremos, levar à morte do tecido (gangrena). E até a uma infeção generalizada do sangue (septicémia), correndo mesmo risco de choque e falha dos órgãos, levando à morte.

 

Mas estes valores não significam que nunca poderá fazer uma tatuagem na vida! Basta que adote novas estratégias para controlar a sua diabetes. Traga-a para valores mais saudáveis e aí sim, considere as tatuagens.

 

Localização das tatuagens

 

Também é importante ter em consideração a zona do corpo onde deseja fazer a tatuagem. Os locais mais afastados do coração e com menos circulação sanguínea (pernas e pés, por exemplo) têm mais dificuldades de cicatrização. O mesmo acontece nas nádegas e na parte da frente das pernas.

 

Além disso, deverá manter a visibilidade dos locais onde tipicamente se injeta a insulina. Ou se fazem as picagens para medição da glicemia. Por isso, os dedos e determinadas zonas dos braços, barriga e coxas são de evitar.

 

Evite ainda locais junto a tendões, já que é fácil que sejam atingidos e acabem por inflamar.

 

Tatuagens e a glicemia

 

Outro ponto a ter em atenção ao fazer uma tatuagem é a glicemia (nível de açúcar no sangue). É importante ter em consideração:

 

  • tamanho;
  • complexidade;
  • localização da tatuagem.

 

As tatuagens podem ser processos extremamente demorados, se o desenho escolhido for de grande dimensão e/ ou se tiver detalhes complexos. Neste caso, é importante que monitorize os níveis de açúcar antes de fazer a tatuagem, para assegurar que não entrará em hipoglicemia. Se for necessário, peça ao tatuador para ir fazendo pausas para fazer mais medições. Ou até para comer algum snack, se for caso disso.

 

Por outro lado, as tatuagens são processos dolorosos e que podem causar stresse e ansiedade. Isto pode fazer subir os níveis de açúcar no sangue. Se estes estiverem demasiado altos antes do processo, o perigo de hiperglicemias aumenta substancialmente. Tenha sempre à mão a sua insulina ou a medicação que tome para controlar a glicemia.

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10 dicas para gerir o stresse na diabetes

Conselhos para conciliar a diabetes com tatuagens de sucesso

 

  • Assegure-se de que tem os seus níveis de glicemia controlados. Assim facilitará o processo de cicatrização.

 

  • Escolha um estúdio seguro e extremamente higienizado. A saúde não tem preço, principalmente para quem tem diabetes.

 

  • Além do estúdio, escolha o tatuador ideal para si. Cada tatuador tem a sua técnica e o seu «traço» característico. Uns são mais realistas, outros mais cartoonistas. Há quem goste de caligrafia e outros que preferem imagens. Pesquise online qual o tipo de desenho que mais gosta. Descubra tatuadores que desenham nesse estilo. Perceba se trabalham em estúdios conceituados, licenciados, seguros e higiénicos. E aí sim, faça a sua marcação.

 

  • Tenha a certeza do que quer fazer. Os processos de remoção são dolorosos e caros. E são mais uma agressão para o corpo.

 

  • Se é a sua primeira tatuagem, comece por um desenho pequeno. Veja como se sente. Como o seu corpo reage ao processo e à tatuagem em si. Se correr bem e for da sua vontade, avance então para desenhos maiores.

 

  • Alimente-se antes de ir fazer a tatuagem.

 

  • Monitorize a glicemia antes e durante o processo.

 

  • Mantenha-se bem hidratado. Beba água no dia anterior e durante o próprio dia. Isto ajudará a diminuir a dor e facilita a absorção da tinta pela pele.

 

  • Cuide da pele da área a tatuar. Assegure-se de que não tem cortes nem queimaduras (solares, por exemplo). Hidrate-a bem.

 

  • Informe o tatuador de que tem diabetes. Deste modo, se acontecer algum incidente, ele poderá informar corretamente os profissionais de saúde.

 

  • Cumpra as instruções do tatuador sobre os cuidados a ter com a sua nova tatuagem. Lembre-se: é importantíssimo mantê-la limpa. Só assim evitará infeções. Mas não esteja sempre a tocar nem a limpar! É preciso deixar que as células de cicatrização façam o seu trabalho. Mantenha um equilíbrio saudável.

 

Em suma…

 

Ter diabetes não significa não poder fazer tatuagens. Isso sim, significa ter cuidados e atenção redobrada ao escolher fazê-las. O mais importante é tomar as precauções necessárias para evitar infeções. Isto porque as dificuldades de cicatrização associadas à diabetes podem levar a situações de infeção grave. O que pode levar à necessidade de amputação de um membro, ou mesmo à morte por infeção generalizada. Mas estes são casos extremos. Se controlar os níveis de açúcar, escolher estúdios com excelentes práticas de higiene e cuidar muito bem da tatuagem durante e após a cicatrização, não deverá ter nenhum problema. De qualquer forma, não deixe de mencionar ao seu médico a intenção de fazer tatuagens. Assim, ele poderá estar atento e dar-lhe todos os conselhos para conciliar de forma saudável a sua diabetes com esta forma de arte corporal.

 

Por fim, junte-se à comunidade Diabetes 365º!

 

E, já agora, já conhece o website Cardio 365º?

Referências
  • Diabetes.co.uk

  • Diabetes Strong

  • Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP)

  • The Diabetes Council

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