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Valores na doença renal: compreender termos e análises

Os rins são importantíssimos na manutenção do equilíbrio do organismo. Através de análises ao sangue e à urina, podemos averiguar como estão a funcionar. Hoje vamos falar sobre as diferentes análises que existem e o que significam.

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A doença renal diabética é uma das principais e possíveis complicações da diabetes e, por isso, é importante conhecer mais sobre a doença renal. Esta acontece porque se a hiperglicemia não for controlada, ao longo do tempo vai causar problemas nos pequenos vasos dos rins. Consequentemente, o rim começa a perder funções, quer na filtração do sangue, quer na eliminação de resíduos e líquidos excessivos. Por ser causada por danos nos pequenos vasos, a doença renal diabética é considerada uma complicação microvascular da diabetes.

 

Cerca de 20 a 40% dos diabéticos vão acabar por desenvolver doença renal diabética. Em primeiro lugar, saiba que os fatores de risco para que tal aconteça incluem um mau controlo da glicemia, ser fumador, ter hipertensão arterial, ter o colesterol e os triglicéridos elevados e também idade avançada. Sendo uma condição que pode evoluir para problemas mais graves, como doença renal crónica, é importante que vá vigiando regularmente a sua função renal, em consulta médica.

Valores na doença renal

A avaliação da função renal faz-se através de análises ao sangue e urina. Hoje vamos abordar as análises mais importantes e o que significam. Lembre-se que apesar de ser possível indicar alguns valores de referência, estes podem variar de acordo com o laboratório e técnica por este utilizada.

 

– Ureia

 

A ureia é um produto da metabolização proteica e, à medida que a função renal piora, os seus valores têm tendência a aumentar. Normalmente, deve situar-se entre os 7 e os 20 mg/dL.

 

– Creatinina

 

A creatinina é um produto da metabolização dos músculos, que toda a gente produz. Como ela é totalmente eliminada pelo rim, é usada como marcador da função renal. Caso os seus rins não estejam a funcionar de forma correta, não há uma eliminação da creatinina à mesma velocidade a que é produzida e esta acumula-se no sangue. De uma forma geral, o valor máximo nas mulheres é de 1,2 mg/dL e nos homens de 1,4 mg/dL. Acima disso, é um sinal de alerta de declínio da função renal. No entanto, os níveis de creatinina considerados normais vão variar não só de acordo com o sexo, mas também com a idade e a etnia. A creatinina é essencial para calcular a taxa de filtração glomerular, valor que nos dará informação mais fidedigna sobre a função renal.

 

– Taxa de filtração glomerular (TFG)

 

Como referido acima, esta taxa calcula-se usando os valores de creatinina no sangue, a idade, sexo e etnia. Assim sendo, a TFG permite avaliar a capacidade de o rim eliminar os resíduos e excesso de líquidos no corpo. Consideram-se normais os níveis acima dos 90 mL/min/1.73 m². No entanto, valores abaixo dos 60 mL/min/1.73 m² já constituem uma redução mais alarmante. Apesar de nos dar bastante informação, juntamente com o valor da TFG devemos avaliar o rácio albumina/creatinina, do qual falaremos a seguir.

 

– Rácio albumina/creatinina

 

Este rácio vai informar-nos se os níveis de albumina que existem na urina são saudáveis ou não. A albumina é uma proteína produzida pelo fígado. Como todas as proteínas, não é filtrada pelo rim, ou seja, o rim não a elimina na urina. Por isso, ter proteínas na urina é sempre considerado anormal. A albumina é a proteína utilizada na averiguação da função renal. Por um lado, se o rácio for elevado, significa que há excreção de albumina pelo rim. Ou seja, o rim «deixa passar» as proteínas, ao contrário do que seria normal. Por outro lado, se esta for uma alteração contínua no tempo, podemos estar perante uma doença renal crónica.

 

– Albuminúria

 

A proteinúria significa a existência de proteínas na urina. Assim sendo, a albuminúria significa a deteção de albumina na urina. Para além do rácio albumina/creatinina, o médico pode pedir um valor de albuminúria numa amostra de urina, que deve estar abaixo dos 30mg/dL. Acima desse valor, considera-se que estamos perante uma microalbuminúria, um indicador precoce de declínio da função renal. À medida que a função do rim vai agravando, o valor vai aumentado. Por outro lado, considera-se macroalbuminúria quando estamos perante um valor acima dos 300 mg/dL.

 

– Glicemia e hemoglobina glicada

 

Num indivíduo com diabetes, a melhor maneira de prevenir o declínio da função renal é manter um bom controlo glicémico. Para isso, é essencial cumprir com a medicação e adotar uma dieta saudável e hábitos de exercício físico regulares. De uma maneira geral, deve manter os níveis de glicémia em jejum à volta dos 110 mg/dL e <180mg/dL nas 2h após a refeição. Quanto aos níveis de hemoglobina glicada (ou A1c), devem ser idealmente abaixo dos 7%, apesar que o alvo deve ser sempre individualizado com o seu médico assistente.

 

 

De salientar que é importante, nas análises, ler os valores na doença renal como um conjunto. Assim sendo, é essencial não tirar conclusões com base num valor isolado. Deve sempre mostrar os resultados ao seu médico, de maneira a que ele os interprete. Além disso, não fique alarmado se o seu médico não pedir todas estas análises. Afinal, nem sempre todas precisas. Tudo depende de cada caso e pode (e deve) discutir com o seu médico todas as dúvidas que tenha, fazendo o seguimento habitual em consulta.

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272.

Prevenir a doença renal na diabetes

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Fontes

Referências

  • Dynamed
  • National Kidney Foundation
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